A atual situação da economia brasileira é um fator objetivo que deverá refletir-se nas urnas

  • O que explica a futura vitória de Dilma Rousseff?




    • Paulo Daniel* Da Carta Capital

      Reproduzido de: Guia Global
      A atual situação da economia brasileira é um fator objetivo que deverá refletir-se nas urnas

      Como diria um velho ditado; mineração e eleição só depois da apuração, mas existem fatos objetivos que se pode “prever” o que acontecerá num processo eleitoral.


      É claro que em um processo eleitoral existem dois fatos que são importantes para a definição do eleitorado; os fatos subjetivos e objetivos. Pode-se conceituar os fatos subjetivos como sendo aqueles que mexem com os sonhos, com as esperanças, com a mudança, com a transparência.

      Os fatos objetivos são aqueles que mexem diretamente com a realidade do povo, como por exemplo, a alimentação, o consumo de bens e serviços, o emprego, a qualidade de vida.

      Entretanto, é bom destacar, que os fatos subjetivos só irão ter importância a partir do momento em que os fatos objetivos não estiverem mudando para melhor a realidade de um povo.

      Portanto, o que definirá a eleição presidencial? Serão os fatos objetivos. Nesses pouco mais de 7 anos de governo, principalmente a partir do segundo mandato, o Presidente Lula mexeu com os fatos objetivos das pessoas, ou seja, a economia brasileira, daí então, deriva a sua alta popularidade. 
      Analisemos alguns dados: Houve uma evolução significativa do crédito, em particular do crédito consignado, representando em 2009, um ano de crise, 60% do total das operações de financiamento pessoal.

      No Brasil, geralmente para se ter algum tipo de financiamento é necessário comprovar renda e que a mesma preferencialmente seja formal, entre 2003 e agosto/2010 houve a geração de praticamente 14 milhões de empregos formais.

      Uma política pouco alardeada pela mídia e que representa muito aos trabalhadores são aumentos reais e consecutivos do salário mínimo (entre 2003 e 2010 houve aumento nominal de 95% e real de 75%, considerando o INPC/IBGE). Com o novo salário mínimo que está em vigor desde janeiro/2010 já injetou no mercado interno R$ 25 bilhões e que está contribuindo amplamente no crescimento econômico brasileiro deste ano.

      A economia brasileira está melhor e mais respeitada internacionalmente, porque dentro do governo a disputa foi vencida por aqueles que defendiam e defendem o Estado enquanto indutor e regulador do processo econômico e nesse processo, Dilma Rousseff além de ter sido uma das idealizadoras foi extremamente decisiva.

      Haja vista a criação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), de acordo com o último relatório divulgado pelo comitê-gestor do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o valor investido neste programa desde 2007 até dezembro de 2009 foi de R$ 403,8 bilhões, correspondendo a 63,3% do total orçado. Como consequência, a taxa de investimento da economia se elevou de 16,4% do PIB, em 2006, para 18,7%, em 2008.

      O PAC contribuiu, ainda, para a geração de novos postos de trabalho formais. Entre janeiro de 2007 e fevereiro de 2010 foram criados 5,67 milhões de empregos. As desonerações tributárias oriundas de medidas do PAC alcançaram R$ 42 bilhões, entre 2007 e 2009, com previsão de atingir mais R$ 24,1 bilhões em 2010. As liberações de financiamento do BNDES para obras do PAC, incluindo as da Petrobras, cresceram em 468% entre 2007 e 2009.

      Queiram ou não, Dilma Rousseff participou ativamente dessas mudanças objetivas na vida dos(as) brasileiros(as). Portanto, a sua futura vitória está diretamente ligada, não só a popularidade de Lula, mas sim, ao otimismo e a melhoria econômica pela qual o país atravessa. Isso é um componente essencial para entender o atual processo eleitoral.

      Neste sentido, a vitória de Dilma se consolida, pois os(as) eleitores(as) estão preocupados com seu presente e com seu futuro imediato. O grande desafio será ampliar as conquistas sociais e econômicas, para isso, o Estado será imprescindível.

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      Paulo Daniel, economista, mestre em economia política pela PUC-SP, professor de economia e editor do Blog Além de economia.

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