Faltado apenas oito dias para o fim de uma campanha repleta de baixarias, agressões e mentiras. O triste episódio na Zona Oeste do Rio, onde alguém jogou uma bolinha de papel em José Serra, foi seguido de incidentes ridículos. Serra, sem lesão aparente, fez tomografia no hospital.
Esquecer muitas cenas do segundo turno: a politização reles do aborto e da religião, o populismo escancarado dos programas eleitorais, as acusações vazias de sentido, a manipulação vil de números, os debates cansativos e amarrados em regras.
A atitude de Serra de fingir um ferimento é a prova de seu despreparo para governar o país: não só pela falsidade do gesto e da artimanha, mas por não medir as consequências de suas ações, que têm o potencial óbvio de inflamar a militância e vir a provocar uma tragédia.
O confronto não interessa para ninguém, mas existe uma grande diferença, a militância de Serra é terceirizada, como costuma conduzir os destinos de sua administração por onde passou, para a terceirização dos serviços públicos.
A militância de Dilma é formada por filiados politizados de partidos acostumados a enfrentar os obstáculos que aparecem, principalmente militantes oriundos do sindicalismo, agem naturalmente e não por dinheiro como os militantes contratados pelos tucanos.
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| Tomografia por causa de uma bolinha de papel? |
Ninguém explica, porém, por que o tal projétil, capaz de deixar Serra tonto e nauseado, não deixou absolutamente nenhuma marca visível em sua cabeça - nem mesmo um mínimo hematoma. E também não explica por que Serra, tendo supostamente recebido a instrução de permanecer 24 horas em repouso, hoje chegou atrasado a um evento e se desculpou dizendo que havia ficado 'gravando' até tarde da noite na véspera.
A bolinha de papel primeiro quicou inocentemente na careca lisa de Serra. O rolo de adesivos, jogado 15 minutos depois, não causou nada aparentemente.
Nada disso deveria ter levado Serra a cancelar todos os seus compromissos e a fazer uma tomografia no hospital. Não havia nenhum ferimento, nenhuma lesão aparente, como confirmou o médico que o examinou, Jacob Kligerman. Mesmo que tenha ficado tonto e amedrontado, seu partido exagerou na reação.
Quando a apuração resultou em segundo turno, a ideia era que os dois candidatos ganhassem tempo para apresentar melhor seus programas de governo. Não foi o que aconteceu. Serra é vazio e seu passado é um buraco, o governo FHC a quem está grudado, e foi o culpado por omitir a discussão política.
Dilma tem posição, e um discurso que é respaldado na continuidade e na popularidade do governo Lula, no sucesso da economia do país, de suas conquistas sociais e políticas públicas além da reconquista da autoestima do povo.
Já o candidato Serra não representa nada, é só um monte de factóides e boatos para tentar enganar boa parte do eleitorado que é facilmente convencido por um fanatismo religioso ou por uma obra ou cena de ficção, como o da bolinha de papel. Lamentavelmente.


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