Sou do tempo em que a gente procurava convencer alguém, numa discussão, com base em sólidos argumentos e a velha e boa lógica.
Uma regra era sempre seguida: não desqualificar o oponente, mas sim o que ele dizia.
Hoje, ao passar os olhos em alguns blogs famosos, como, por exemplo, os abrigados no site da revista Veja, noto que já não existe nenhuma preocupação em fazer uma crítica consistente, com uma dose mínima que seja de argumentação.
O que vale, ao contrário da prática de antanho, é, antes de mais nada, desqualificar o alvo de seu comentário, xingá-lo de todos os nomes possíveis, difamá-lo sem piedade, e rechear o texto gorduroso, no qual se percebe uma alta dose de cultura de almanaque, com vários adjetivos.
Alguns minutos bastaram para colher exemplos do tipo de 'jornalismo' que a 'grande' imprensa abriga. Vamos aos títulos dos artigos:
'Haddad acha que cabeçalho é cabeçário. É uma boa rima para falsário'
'O medo do fracasso nas urnas aumenta a produtividade da fabricante de mentiras'
'O jeca metido a novo rico aplica o conto da saúde para financiar a gastança federal'
'Lula pôde guardar cada tostão de seu salário e da Bolsa Ditadura, de que é beneficiário'
'A Bolsa Jabuti para a ficcionista Maria Rita Kehl, a heroína de Itararé da esquerda descolada'
O inacreditável de toda essa história é que é essa gente que brada a plenos pulmões sobre supostas ameaças à liberdade de imprensa no Brasil!
O sujeito escreve as maiores barbaridades sobre quem quer, esculhamba sem nenhuma preocupação políticos e autoridades das quais não gosta, usa o poderoso espaço que lhe deram para disseminar o ódio e o preconceito, conta com a maior sem-cerimônia toda espécie de mentiras, tudo isso repetidamente, sem cessar, e tem o desplante de dizer que sua 'liberdade de expressão' está ameaçada?
Ora, é preciso ser muito cínico para falar uma coisa dessas. Ou então, muito bem remunerado - como já foi mais que provado, todo homem tem seu preço.

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