Carlos José Marques, diretor editorial
Foram décadas de resignação do Estado e de uma política promíscua cuja tônica era o relacionamento respeitoso – quase amigável – e de acordos espúrios entre autoridades e bandidos. Governantes acomodados, populistas e, em certos casos, pouco éticos fizeram vista grossa ao avanço dramático do tráfico e do crime organizado. As facções armadas dos pés à cabeça, com fuzis e metralhadoras, tomaram conta da situação, mandando e desmandando pelas ruas e bairros do Rio de Janeiro, num quadro tão surrealista como inaceitável.
Os grupos de marginais chegaram a impor toques de recolher a escolas e ao comércio local. Agiram sem resistência e sem receio. Formaram uma espécie de comando paralelo, turbinado pela glamorização das favelas e pelas táticas frouxas de combate do poder legalmente constituído. A sociedade virou refém. À mercê da barbárie. Vivendo numa praça de guerra diária como se fosse a coisa mais natural do mundo. Com a segurança por um fio, quase artigo raro, a vida passou a não valer mais nada na Cidade Maravilhosa. A inapetência e inoperância de quem deveria prover a ordem estiveram por trás do problema. De uns tempos para cá, o cenário mudou. O modelo das Unidades de Polícia Pacificadora (as UPPs) deu resultados visíveis e extraordinários, com apoio irrestrito da população. O resgate da cidadania entrou em curso. Moradores de comunidades, antes praticamente alijados do aparato social de educação e saúde, passaram a receber serviços básicos essenciais. O banimento da violência nos morros propiciou a liberdade do ir e vir desses cidadãos. Era evidente que a transição não ocorreria sem traumas. Como numa panela de pressão, mais cedo ou mais tarde a reação desesperada de quadrilhas acuadas ocorreria. E ela veio numa onda terrorista e de vandalismo, com arrastões, assaltos e incêndio de veículos, que visavam fundamentalmente espalhar o medo e intimidar as autoridades. O império do tráfico, que por anos entendeu que estava tudo dominado, quis tomar de volta o que perdeu. Mas a resposta da sociedade – por mais dolorosa e arriscada que possa parecer nesse momento – deve ser a da resistência. Com o apoio e a ajuda de todo o País, até o desmantelamento completo dessas quadrilhas e o aniquilamento das práticas deletérias de comércio ilegal de drogas. Não pode haver trégua, hesitação ou recuo nessa luta. A hora é agora! O controle territorial do Rio – que pretende sediar eventos globais como a Olimpíada e a Copa do Mundo – não pode seguir nas mãos de marginais como ocorreu no passado recente. A falsa ideia de que a via do entendimento com esses bandidos é uma alternativa possível não deve prevalecer. A polícia fluminense precisa seguir avançando, sem fraquejar, no encalço daqueles que se imaginavam imunes à lei, expulsando-os do convívio social até o triunfo final. A imagem do Cristo com colete e munição na capa desta edição da ISTOÉ suscitou polêmica entre os editores, mas prevaleceu a ideia de que, neste caso, mais do que o ícone religioso, a estátua do Redentor representa o símbolo maior de uma cidade que está pronta a responder, sem indulgência, às ameaças criminosas. O que se propõe não é uma imagem de guerra, mas da resistência e busca de paz.
Os grupos de marginais chegaram a impor toques de recolher a escolas e ao comércio local. Agiram sem resistência e sem receio. Formaram uma espécie de comando paralelo, turbinado pela glamorização das favelas e pelas táticas frouxas de combate do poder legalmente constituído. A sociedade virou refém. À mercê da barbárie. Vivendo numa praça de guerra diária como se fosse a coisa mais natural do mundo. Com a segurança por um fio, quase artigo raro, a vida passou a não valer mais nada na Cidade Maravilhosa. A inapetência e inoperância de quem deveria prover a ordem estiveram por trás do problema. De uns tempos para cá, o cenário mudou. O modelo das Unidades de Polícia Pacificadora (as UPPs) deu resultados visíveis e extraordinários, com apoio irrestrito da população. O resgate da cidadania entrou em curso. Moradores de comunidades, antes praticamente alijados do aparato social de educação e saúde, passaram a receber serviços básicos essenciais. O banimento da violência nos morros propiciou a liberdade do ir e vir desses cidadãos. Era evidente que a transição não ocorreria sem traumas. Como numa panela de pressão, mais cedo ou mais tarde a reação desesperada de quadrilhas acuadas ocorreria. E ela veio numa onda terrorista e de vandalismo, com arrastões, assaltos e incêndio de veículos, que visavam fundamentalmente espalhar o medo e intimidar as autoridades. O império do tráfico, que por anos entendeu que estava tudo dominado, quis tomar de volta o que perdeu. Mas a resposta da sociedade – por mais dolorosa e arriscada que possa parecer nesse momento – deve ser a da resistência. Com o apoio e a ajuda de todo o País, até o desmantelamento completo dessas quadrilhas e o aniquilamento das práticas deletérias de comércio ilegal de drogas. Não pode haver trégua, hesitação ou recuo nessa luta. A hora é agora! O controle territorial do Rio – que pretende sediar eventos globais como a Olimpíada e a Copa do Mundo – não pode seguir nas mãos de marginais como ocorreu no passado recente. A falsa ideia de que a via do entendimento com esses bandidos é uma alternativa possível não deve prevalecer. A polícia fluminense precisa seguir avançando, sem fraquejar, no encalço daqueles que se imaginavam imunes à lei, expulsando-os do convívio social até o triunfo final. A imagem do Cristo com colete e munição na capa desta edição da ISTOÉ suscitou polêmica entre os editores, mas prevaleceu a ideia de que, neste caso, mais do que o ícone religioso, a estátua do Redentor representa o símbolo maior de uma cidade que está pronta a responder, sem indulgência, às ameaças criminosas. O que se propõe não é uma imagem de guerra, mas da resistência e busca de paz.

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