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Oil for Obama

O Vermelho Capixaba, republica pela sua extrema importância, o Editorial em que o Portal Vermelho revela "a hipocrisia tucana, o servilismo do candidato derrotado José Serra ante o Império e a correção das denúncias do renitente privatismo antinacional da direita brasileira."

José Serra e o pré-sal: a serviço do Império
A campanha eleitoral passou, Dilma Rousseff foi eleita e José Serra está à beira de um merecido ostracismo político. Mesmo assim, telegramas entre diplomatas norte-americanos no Brasil e seus chefes em Washington divulgados pelo WikiLeaks autorizam a volta a um dos temas sensíveis da campanha eleitoral e da agenda política, pois revelam a hipocrisia tucana, o servilismo do candidato derrotado José Serra ante o Império e a correção das denúncias do renitente privatismo antinacional da direita brasileira.

A principal revelação relata uma conversa do tucano José Serra com uma executiva de uma petroleira norte-americana, na qual ele prometeu fazer aquilo que os norte-americanos queriam em relação ao marco regulatório da exploração do pré-sal.

A conversa ocorreu em dezembro de 2009. Nela, Serra disse para Patrícia Pradal, executiva da petroleira Chevron e representante do Instituto Brasileiro de Petróleo (o nome diz Brasileiro, mas reúne representantes de empresas estrangeiras): "Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta".

Os telegramas divulgados mostram que a descoberta do pré-sal causou alvoroço entre os diplomatas norte-americanos. Num despacho, a ex-consul Elizabeth Lee Martinez disse que era uma “nova excitante descoberta” e que abria uma “oportunidade de ouro” para as empresas norte-americanas fabricantes de equipamentos para a exploração do petróleo.

A polêmica é conhecida. Ela frequentou as páginas dos jornais e o noticiário da televisão, na maioria alinhados com os interesses norte-americanos e de lá foi levada pelos tucanos e seus aliados para a propaganda eleitoral. Foi uma intensa campanha contra a decisão do governo de mudar o modelo de exploração, adotando a partilha da produção e aposentando o modelo aprovado pelos tucanos em 1997, no qual as empresas concessionárias ficam donas de todo o petróleo explorado e pagam à União apenas um percentual, na forma de royalties. Além disso, no novo modelo, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados, cresce o papel da Petrobrás, que se torna parceira nos consórcios de exploração e operadora exclusiva de todos os campos do pré-sal.

O realce do papel da Petrobrás, e a criação de uma nova empresa voltada para o pré-sal é tudo o que os norte-americanos não queriam, e seus ventríloquos brasileiros – entre eles, agora está provado, tucanos de destaque como José Serra – condenavam. A opção feita pelo governo brasileiro reforça o papel do Estado – via Petrobrás e a nova empresa – na exploração do pré-sal, assegura o controle nacional sobre a nova riqueza e define as regras para seu emprego que vai para programas sociais e de combate à pobreza, e não para engordar ainda mais os bolsos dos tubarões do petróleo e seus aliados.

Com a derrota de José Serra os inimigos do Brasil também foram derrotados. O tucano alimenta o sonho de voltar ao páreo em 2014. Os norte-americanos e seus aliados continuam ativos na mídia e no cenário político. E os brasileiros precisam estar atentos a seus movimentos: o que os telegramas do WikiLeaks demonstram, para quem ainda tivesse dúvidas a respeito, é que usam em público palavras doces mas, ocultos pelo “segredo diplomático”, revelam intenções, programas e projetos inconfessáveis. Foi o que José Serra fez na campanha eleitoral, em relação ao pré-sal, por exemplo.

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