do CARTA CAPITAL - WIKILEAKS
Em setembro de 2008, a embaixada americana procurou o governo brasileiro para pedir 5 milhões de dólares para as forças militares do Afeganistão, como revela um telegrama publicado hoje pelo WikiLeaks.
O dinheiro seria remetido ao longo de cinco anos. Este foi um de muitos pedidos de assistência para o país negados pelo Itamaraty.
O telegrama de 3 de outubro relata que o representante político da embaixada norte-americana conversou com o embaixador Marcos Pinta Gama e com a secretária responsável pelo Afeganistão no MRE, Marisa Kenicke, para pedir o montante.
Pinta Gama declinou, dizendo que o Brasil “tem procurado projetos relacionados a desenvolvimento mais do que apoio aos militares”, mas mesmo assim não tinha encontrado uma oportunidade adequada.
“O pedido de cinco milhões de dólares ao longo de cinco anos é bem maior do que muitos outros pedidos que fizemos e que seguem sem resposta”, comentou o então embaixador Cliffords Sobel. “Os recursos do Brasil para assistência em geral são extremamente limitados, e o governo tende a preferir assistência técnica para projetos de desenvolvimento social”.
Brasil não é “ator relevante”, diz MRE
Em 2009, o tema volta à pauta da embaixada, como mostra outro telegrama confidencial do dia 14 de abril.
Trata-se de um relatório sobre outra reunião, com o embaixador Roberto Jaguaribe, subsecretária para assuntos políticos, que terminou em mais uma negativa.
Jaguaribe teria dito a Sobel que, por causa da redução da verba para assistência no Congresso, a chance de conseguir fundos era “muito pequena”, mas talvez fosse possível obter alimentos.
Para ele, o Brasil vê o Afeganistão como “remoto e distante”, seguindo os desenvolvimentos no país mas sem ser “um ator relevante”, embora houvesse a possibilidade de abrir uma embaixada em Kabul.
Ele também teria sugerido que o Irã poderia ser um ator relevante na região.
Para Sobel, conforme ele descreve no documento, há três obstáculos para uma ajuda brasileira: “a) o orçamento, b) receptividade política, e c) a dificuldade brasileira em ‘abraçar algo que não formulou’”.
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