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Patrick Le Hyaric, diretor do jornal l'Humanité, França (foto: l'Humanité)

O aparecimento da juventude e do povo tunisiano na cena mundial constitui-se numa boa nova para todos os povos do mundo. Mostra que a via da emancipação é possível. Estão a caminho de protagonizar a primeira revolução deste século 21. Estamos a seu lado, ao lado de todas as forças democráticas.

Desejamos ardentemente que esse povo bom, tolerante, culto consiga levar a bom termo a transição democrática. Têm tanto mais o nosso apoio porque estamos decididos a lavar a honra maculada da pátria dos direitos do homem pelos dirigentes de nosso país e daqueles da União Europeia que respaldaram o autócrata ditador corrupto Ben Ali e sua camarilha até o derradeiro minuto.

Diz-se hoje que nossos ministros e o próprio presidente da República, Nicolás Sarkozy, analisaram mal a situação ou cometeram erros de apreciação devido a certos serviços de Estado mal informados.

Isto seria simplesmente ridículo se não fosse tão triste. Não se trata de erros, trata-se de uma linha política. Esta tem sido sua política, decidida conscientemente porque eles se situam do outro lado do rio: aquele dos poderosos, contra a democracia e os povos. Esta atitude não somente não engrandece nosso país como lhe causa e lhe causará sério prejuízo.

Desejamos, de momento, que as autoridades provisórias tunisianas criem as condições para garantir a segurança da população, pondo fim ao terror, aos abusos e às pilhagens cometidas por bandos que tudo indica estão ainda a serviço do clã dos vencidos.

A Revolução do Jasmim não deve ser nem manchada nem traída nem roubada do povo tunisiano que há 23 anos não tem podido votar livremente. Esta revolução não pode ser nem desviada nem confiscada.

Nada será pior que falsos pretextos, que um arremedo do regime sem Ben Ali.

Isto vale como decorrência dos princípios democráticos mas também é verdadeiro para a vida econômica e social.

Tudo o que foi sequestrado ao povo pelo antigo regime deve ser restituído ao povo.

A União Europeia, que tem acordos de cooperação e de associação com a Tunísia, deve no presente momento manter-se ativa e reconhecer o direito do povo tunisiano de escolher seu caminho democrático na direção das mudanças que deseje empreender, acatando o pluralismo político mas também respeitando a liberdade de dispor de sua soberania econômica e política e de evoluir na senda do progresso social .

Os trabalhadores, a juventude e o povo tunisianos como de resto todas as forças progressistas desse país podem estar seguros de nossa vigilância.

[traduzido e enviado por Max Altman]

O artigo original pode ser lido em: Patrick Le Hyaric: «La révolution de jasmin ne doit pas être confisquée au peuple»
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