Vânia Barbosa

Na manhã da segunda-feira, dia 14, o presidente da Frente Parlamentar Gaúcha de Solidariedade a Cuba, deputado Raul Carrion (PCdoB), recebeu em seu gabinete o presidente da Associação Cultural José Martí do Rio Grande do Sul, Ricardo Haesbaert, e o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, José Maria Rodrigues Nunes. Além dos dois, estiveram presentes brigadistas que participaram em Cuba, em novembro, do 6º Colóquio pela Libertação dos Cinco Cubanos presos nos EUA e da Brigada Internacional Contra o Terrorismo Midiático e outros apoiadores da causa da Ilha.

Na pauta do encontro, o pedido de apoio para o encaminhamento ao governo brasileiro de um abaixo-assinado repudiando o terrorismo exercido contra Cuba pelos sucessivos governos estadunidenses. Também o apelo pela liberdade dos Cinco antiterroristas cubanos Gerardo Hernandez, René Gonzalez, Antônio Guerrero, Ramon Labañino e Fernando Gonzalez, mantidos há mais de 12 anos em cárceres privados nos Estados Unidos.

O documento solicita, também, uma manifestação do governo brasileiro, no sentido de que a administração Barack Obama acabe com o bloqueio contra Cuba, cujos prejuízos sofridos acumulados por meio século já superam os U$751 bilhões. Dessa forma, Obama deverá cumprir o que está disposto em 19 sucessivas resoluções aprovadas na Assembleia Geral das Nações Unidas e reiterado na petição aprovada pelos chefes de Estado presentes na 20ª Cúpula Ibero-Americana, em 4 de dezembro de 2010, em Mar Del Plata, na Argentina.

Carrion explicou que, em meados do mês de março, haverá a reinstalação da Frente Parlamentar de Apoio ao Povo Cubano na Assembleia gaúcha. Após a coleta de assinaturas para recompor a frente, será possível a elaboração de um documento de impacto a ser assinado pelo maior número de partidos políticos, deputados federais, senadores, deputados estaduais, vereadores, além de representantes de entidades, sindicatos, movimentos sociais, entre outros.

O presidente da Frente Parlamentar propôs que, por ocasião da vinda de Obama ao Brasil, que inicia em 19 de março, as entidades de solidariedade nos estados realizem manifestações em defesa das causas previstas nas propostas.

A Associação José Martí avalia com os brigadistas que, além da iniciativa da Frente Parlamentar, é preciso agilizar outras ações como o encaminhamento imediato a presidenta Dilma Rousseff de moção que tenha como signatárias as entidades apoiadoras de Cuba no Estado. Também a possibilidade de um abaixo-assinado, via internet, além da solicitação para que as entidades de solidariedade no Brasil repiquem a moção em seus estados e encaminhem à presidenta. A José Martí estuda, ainda, a viabilidade de um pedido ao Ministério das Relações Exteriores para que busque integrar a causa junto a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

O caso dos “Cinco”
Os “Cinco” – como respeitosamente são chamados em Cuba e pelos movimentos internacionais de solidariedade – foram presos por agentes do FBI, em setembro de 1998, no Sul da Flórida. O grupo estava nos Estados Unidos para tentar impedir ataques terroristas contra a Ilha, planejados por extremistas cubano-estadunidenses radicados em Miami. Até agora são submetidos a duras penas em razão de uma farsa judicial que impressiona, inclusive, grandes juristas daquele país.

Entre tantas ações terroristas do imperialismo, os cubanos tiveram os campos de cana-de-açúcar – essenciais para a economia do País – incendiados. A queima da produção teve como objetivo debilitar a principal fonte de trabalho e renda existente na Ilha. Foram várias as cartas enviadas pelo governo cubano aos Estados Unidos para que detivessem os ataques. O imperialismo silenciou e a saída para Cuba foi enviar os “Cinco” para que se infiltrassem no meio dos terroristas para informar sobre novos ataques. Assim Cuba poderia adotar medidas contra resultados fatais. Na época, eles conseguiram evitar 170 ataques, todos capitaneados pela CIA e em nenhum momento atuaram contra a segurança nacional dos EUA.

Anistia Internacional
Em um informe emitido em 13 de outubro de 2010, a Anistia Internacional demanda ao governo dos Estados Unidos que revise o caso dos “Cinco”. Pede ainda que evite qualquer injustiça, “seja por meio de processo de indulto ou outro meio apropriado, no caso de novas apelações legais resultarem ineficazes”.

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