do CONTEXTO LIVRE
Homenagem à Folha de S.Paulo
Militantes põem fogo em camionete da Folha que servia aos torturadores
Outro ângulo da reação à cumplicidade da Folha com os torturadores
“Seu Frias”, combatente de 1932, contra Vargas e a favor de Secessão
Editorial Folha de S.Paulo
[Publicado em 22 de setembro de 1971]
Neste texto foi mantida a grafia original da época
Banditismo

OCTAVIO FRIAS DE OLIVEIRA*


A sanha assassina do terrorismo voltou-se contra nós.
Dois carros deste jornal, quando procediam ontem à rotineira entrega de nossas edições, foram assaltados, incendiados e parcialmente destruidos por um bando de criminosos, que afirmaram estar assim agindo em “represalia” a noticias e comentarios estampados em nossas paginas.
Que noticias e que comentarios? Os relativos ao desbaratamento das organizações terroristas, e especialmente à morte recente de um de seus mais notorios cabeças, o ex-capitão Lamarca.
Nada temos a acrescentar ou a tirar ao que publicamos.
Não distinguimos o terrorismo do banditismo. Não há causa que justifique assaltos, assassinios e sequestros, muitos deles praticados com requintes de crueldade.
Quanto aos terroristas, não podemos deixar de caracterizá-los como marginais. O pior tipo de marginais: os que se marginalizam por vontade propria. Os que procuram disfarçar sua marginalidade sob o rotulo de idealismo politico. Os que não hesitaram, pelo exemplo e pelo aliciamento, em lançar na perdição muitos jovens, iludidos, estes sim, na sua ingenuidade ou no seu idealismo.
Desmoralizadas e desarticuladas, as organizações subversivas encontram-se nos estertores da agonia.
Da opinião publica, o terror só recebe repudio. É tão visceralmente contrario às nossas tradições, à nossa formação e à nossa indole, que suas ações sào energicamente repelidas pelos brasileiros e por todos quantos vivem neste pais.
As ameaças e os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta.
Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve.
E de maneira especial não há hoje, quando um governo serio, responsavel, respeitavel e com indiscutivel apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lucido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama.
O Brasil de nossos dias é um país que deseja e precisa permanecer em paz, para que possa continuar a progredir. Um país onde o odio não viceja, nem há condições para que a violencia crie raizes.
Um pais, enfim, de onde a subversão — que se alimenta do odio e cultiva a violencia — esta sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da Imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma Imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.
Porque, na verdade, procurando atingir-nos, a subversão visa atingir não apenas este jornal, mas toda a Imprensa deste pais, que a desmascara e denuncia seus crimes.
PS do Viomundo: Otávio Frias de Oliveira emprestou carros da Folha para ações da Operação Bandeirantes, que torturava, assassinava e “desaparecia” com adversários do regime. O governo a que ele se refere no artigo é o do general Emilio Garrastazu Médici, o mais violento na repressão política à oposição.
Ilustração by: Conversa Afiada

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