do PÚBLICO.PT

Ao 17º dia de revolta nas ruas do Egipto, o dia começou com o o exército a anunciar que vai tomar as "medidas" necessárias "para proteger a nação" e "para apoiar as exigências legítimas do povo" e terminou com Mubarak a dizer que não abandona o poder. No Cairo milhares de pessoas estão na Praça Tharir. A revolução minuto a minuto 



21h39 “Amanhã vamos para o palácio aos milhões”, diz-se na página “Somos todos Khaled Said” no Facebook. “Amanhã vão ter de matar milhões de mártires.”

21h38 A televisão estatal egípcia, Nile TV, já não está a mostrar mais imagens da Praça Tahrir, nem dos protestos em Alexandria, a segunda maior cidade do Egipto – onde as multidões reagem em fúria ao discurso de Mubarak.

21h36 Milhares de pessoas estão a abandonar Tahrir, num ambiente de enorme de confusão. “Muitos dizem que estão a sair agora para dormir esta noite e voltar amanhã para outro muito longo e muito grande protesto”, conta a jornalista Lina Wardani do jornal al-Ahram.

21h29 Comentário de Mamoun Fandy, estudioso egípcio, à BBC sobre a permanência de Mubarak na presidência: “Não sei se o desastre vai começar esta noite ou amanhã, mas estamos à beira de um grande confronto”.

21h27 "Milhares de pessoas estão nas ruas muito zangadas, mesmo muito zangadas, algumas ameaçando pôr-se a caminho do palácio presidencial, e ninguém vai para casa”, descreve uma manifestante em Tahrir à BBC News.

21h25 "Mubarak lembra-nos de que os ditadores têm uma capacidade espantosa de se enganar a eles próprios e de se ver a si próprios como indispensáveis”, comenta Nicholas Kristof no “New York Times”

21h19 Um desabafo de Miguel Esteves Cardoso:" Que discurso tão flácido e hipócrita, o de Mubarak. Que tristeza é ver alguém recusar-se a humilhar-se, identificando-se com o país que humilha. "Eu sou o Estado", disse Mubarak. O absolutismo continua.

21h16 Dois pontos importantes no discurso de Mubarak: a menção a uma alteração do artigo 179 da Constituição, a base da contestada lei de emergência. Mas Mubarak diz que apenas quando houver condições para isso. E quanto à esperada transferência de poderes para o seu vice-presidente Omar Suleiman, Mubarak passou algumas das suas competências – mas nem todas. No fundo, o discurso, e as cedências, ficaram muito aquém do que era esperado.

21h15 Não era isto que o povo queria: na Praça Tahrir já ninguém ouvia as últimas frases do discurso de Mubarak, as palavras de ordem “vai embora! vai embora!" a tornarem-se num grito colectivo, mostrando que as palavras do Presidente ficaram muito aquém das expectativas dos manifestantes pró-democracia. Há relatos de muitos jovens empunhando os sapatos, um dos maiores insultos entre muçulmanos.

21h14 Mubarak termina o seu discurso lembrando que serviu o Egipto a vida toda e garantindo: “Não me vou separar deste solo até ser enterrado debaixo dele”. A multidão na praça Tahrir lança-se numa gigantesca gritaria: “Sai, sai, sai!”

21h13 “Todos os egípcios estão na mesma trincheira e devíamos continuar o diálogo que começámos numa atmosfera amigável”, disse Mubarak. “Fui jovens tal como vocês quando aprendi ética militar lealdade pátria”, continuou – e, nesse momento, os milhares na praça Tahrir (Libertação), no Cairo, apuparam as suas palavras. O Presidente acrescentava: “Gastei o meu tempo a defender o Egipto”.

21h10 Mubarak: “Passei a maior parte da minha vida a defender a nossa pátria. E nunca sucumbi a nenhuma pressão internacional. A minha dignidade está intacta. Não me demitirei até que um governo eleito possa assumir o poder”.

21h09 Mubarak: "A prioridade agora é recuperar a confiança entre os egípcios e também a confiança na economia. O Egipto está a passar por um mau momento, não podemos permitir que isso continue. Os prejuízos à economia não podem continuar ou a mesma juventude que pede mudanças vai sofrer com isso. O que está em causa nesta situação não é Hosni Mubarak, mas o futuro do Egipto."


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