Jean-Bertrand Aristide
Aristide foi primeiro presidente
haitiano eleito democraticamente
O ex-presidente do Haiti Jean-Bertrand Aristide deixou a África do Sul nesta quinta-feira para retornar ao seu país natal, após sete anos no exílio.

Aristide deve chegar a Porto Príncipe, a capital haitiana, na manhã desta sexta-feira, dois dias antes do segundo turno da eleição presidencial.
Os Estados Unidos se disseram “profundamente preocupados” com a possibilidade de que a volta do ex-presidente desestabilize o país.
Mas Aristide, um líder populista que foi forçado a fugir em 2004 em meio a uma revolta, diz que não almeja um papel ativo na política haitiana. Sua volta vinha sendo comentada há semanas.
Passaporte
Aristide recebeu de volta seu passaporte diplomático no mês passado, e seu advogado disse que ele gostaria de voltar rapidamente ao Haiti para não correr o risco de que o vencedor da eleição presidencial revertesse a decisão de permitir seu regresso.
Ele deixou Joanesburgo, na África do Sul, na quinta-feira à noite e deve chegar ao Haiti na sexta-feira.
Aristide ainda tem muitos partidários: no mês passado, milhares tomaram as ruas para estimulá-lo a voltar.
Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier, outro ex-líder do Haiti, também voltou recentemente ao país. Ele agora está sendo processado por tortura e crimes contra a humanidade.
Segundo turno
Funcionários do governo dos Estados Unidos disseram que o presidente Barack Obama telefonou para o mandatário sul-africano, Jacob Zuma, para manifestar sua preocupação quanto à volta de Aristide.
“Os Estados Unidos, ao lado de outros na comunidade internacional, têm profundas preocupações de que a volta do presidente Aristide ao Haiti nos últimos dias da eleição possa ser desestabilizadora”, disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Vietor.
A ex-primeira-dama Mirlande Manigat e o cantor Michel Martelly se enfrentam no segundo turno da eleição haitiana, numa disputa marcada por controvérsias.
O candidato do partido governista deixou o pleito após monitores internacionais denunciarem uma fraude em seu favor no primeiro turno, em novembro.
O novo presidente enfrentará vários problemas. O país ainda está tentando se recuperar do devastador terremoto do ano passado, e uma subsequente epidemia de cólera agora parece pior do que se pensava, com alertas de que a infecção pode atingir 800 mil pessoas.
Carreira
Aristide, um ex-padre católico, tornou-se em 1991 o primeiro presidente eleito democraticamente do país, mas foi derrubado sete meses depois.
Ele foi reeleito em 2000, mas seu segundo mandato foi marcado por uma crise econômica, e ele fugiu em meio a uma revolta.
Seu partido, o Fanmi Lavalas, foi impedido de participar da eleição atual, supostamente devido a erros técnicos na ficha de inscrição.

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