O chefe do Corpo de Bombeiros da cidade de Rikuzentakata, na costa do Japão, disse ter alertado os seus superiores antes do terremoto do dia 11 de março de que um tsunami poderia varrer a cidade do mapa.
Michihito Sato afirmou à BBC que as barragens foram avariadas há dois anos, depois que as águas de outro terremoto as ultrapassaram.
Por isso, no último dia 11, as enormes comportas que deveriam ter protegido a cidade do tsunami não se fecharam.
E uma equipe de bombeiros foi convocada para fechá-las manualmente.
Rikuzentakata
Os portões teriam sido danificados há dois anos, em outro tsunami
Minutos depois, 45 jovens profissionais foram arrastados pela onda gigante.
"Me sinto muito culpado e zangado, cheio de remorsos e passo os dias procurando os corpos da minha equipe, das sete da manhã às 5 da tarde", afirmou Sato.
Sato afirma que a sua vida se transformou num inferno, mas que tem que esconder o seu luto porque como chefe, precisa inspirar os seus homens.
A base do Corpo de Bombeiros da cidade foi destruída, como quase tudo na cidade de 26 mil habitantes.
As equipes de Sato continuam a trabalhar diariamente e desde o tsunami, pouco descansaram.
Até o momento, já recuperaram cerca de 500 corpos, mas outras dez mil pessoas continuam desaparecidas.

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