07 de março - Estudantes protestam durante uma manifestação em frente ao edifício da principal da universidade no Cairo para exigir a renúncia do .... Foto: Reuters
Estudantes protestam durante uma manifestação em frente ao edifício da principal da universidade no Cairo para exigir a renúncia do reitor
Foto: Reuters
As mulheres se transformaram nas grandes protagonistas das mobilizações populares contra os regimes autocráticos dos países árabes, desmentindo inúmeros estereótipos.

"As mulheres foram e continuam sendo protagonistas das revoluções da região e estão física e maciçamente presentes nas ruas, o que é fundamental", avalia Nadim Hury, pesquisador da organização de defesa dos Direitos Humanos, Human Rights Watch (HRW).
"É um sinal de esperança", acrescentou, enfatizando que as mulheres também "deverão ser protagonistas nas novas instituições que nascerem dessas revoluções".
Usando camisetas, calças jeans ou os tradicionais trajes negros, milhares de mulheres participaram nas manifestações na Tunísia, Egito, Iêmen e Bahrein contra os regimes desses países.
Em Bahrein, onde milhares de manifestantes, majoritariamente xiitas, reclamam a queda da dinastia sunita dos Al Khalifa, as mulheres se manifestaram com suas tradicionais abayas, formando uma massa negra em meio à multidão, já que homens e mulheres desfilam separadamente.
Em países como a Líbia ou Iêmen, as mulheres romperam com certas normas sociais ao manifestar-se ou falar abertamente diante das câmeras.
"As mulheres tiveram um importante papel no início da revolução", afirmou Tawakul Karman, uma militante iemenita contrária ao presidente Ali Abddullah Saleh.
"A revolução procura derrubar o regime, mas também permitiu superar tradições arcaicas, como o fato de que as mulheres tenham que permanecer em suas casas sem participar na política", acrescentou.
"A revolução também é social. O papel que têm as mulheres permite criar uma nova sociedade", enfatizou.
Muitas mulheres também usaram da palavra na internet. Dessa forma, que Asma Mahfuz, uma jovem egípcia cujo vídeo pedindo que as pessoas se manifestem foi um grande êxito online, teve um papel importante no início da mobilização contra o ex-presidente Hosni Mubarak.
"Quem acha que as mulheres não têm que se manifestar, que se porte como um homem e se atreva a sair à rua comigo em 25 de janeiro", lançou a militante usando um véu no vídeo.
Na Arábia Saudita, onde, por ora, não houve uma manifestação em massa, começam a aparecer na internet expressões femininas contra o regime.
"Peço às sauditas que atuem agora mesmo. Nossos irmãos sauditas nos traíram porque são uns covardes", afirma a SaudiWomenRevolution.
Apesar de não se saber como ficarão configurados os futuros sistemas políticos na região, os levantes revelam um descontentamento político, mas também social, enfatizam os analistas.

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