A saída da crise passa pelo combate e a recusa da ingerência do FMI, da UE, do grande capital transnacional. Passa pela recusa das suas receitas, cujos resultados são sempre a miséria para os trabalhadores e os povos e o agravamento da dependência dos países em que o FMI intervém.
Façamos uma espécie de ficha.
O FMI é uma estrutura de coordenação financeira do grande capital transnacional. O seu objectivo declarado é uma quadratura do círculo: o capitalismo pretenderia, com a sua criação, estabilizar o seu sistema monetário e preservá-lo das crises cíclicas do capitalismo.
Os países membros têm direito a voto na proporção da sua contribuição para o Fundo. Os 10 maiores contribuintes – EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Arábia Saudita, R. P. China, Canadá, Rússia – representam 55,3% da capacidade total de votos. De todos os países membros do seu conselho executivo, apenas um tem direito de veto - os EUA.
Na história do FMI destaca-se a simpatia por ditaduras fascistas e tiranias militares. Certamente porque regimes desse tipo facilitam a aplicação das suas “receitas de estabilização financeira”, cujo padrão comum são os cortes nos serviços públicos e nos direitos dos trabalhadores, as privatizações, as “medidas de austeridade” para o povo. Os resultados conseguidos são, em todos os casos, muito semelhantes: o apoio do FMI ao Chile de Pinochet traduziu-se num aumento da dívida de 47%; ao Haiti de Jean-Claude Duvalier, de 78%; à Indonésia de Suharto, de 98%; ao Paraguai de Stroessner, de 96% .[1]
Na história do FMI destaca-se a simpatia por ditaduras fascistas e tiranias militares. Certamente porque regimes desse tipo facilitam a aplicação das suas “receitas de estabilização financeira”, cujo padrão comum são os cortes nos serviços públicos e nos direitos dos trabalhadores, as privatizações, as “medidas de austeridade” para o povo. Os resultados conseguidos são, em todos os casos, muito semelhantes: o apoio do FMI ao Chile de Pinochet traduziu-se num aumento da dívida de 47%; ao Haiti de Jean-Claude Duvalier, de 78%; à Indonésia de Suharto, de 98%; ao Paraguai de Stroessner, de 96% .[1]
O actual presidente do FMI é um “socialista” francês, Dominique Strauss-Kahn. Entre o seu vasto currículo, tem o nome associado a um relatório que documenta o carácter radicalmente antidemocrático do projecto de “construção europeia” do grande capital. Datado de 2004, as suas “50 propostas”[2] traçam o caminho da união política de uma UE federal, imperialista, comandada pelas grandes potências europeias, construída segundo um programa verdadeiramente totalitário em que os pequenos países seriam inteiramente esmagados. A primeira etapa desse processo já está concretizada com a aprovação, com outro nome, da “constituição europeia” que esse relatório preconizava.
A saída da crise não passa pelo FMI, por esta UE, pelo grande capital europeu. Passa pelo combate contra a sua ingerência e pela recusa das suas receitas.
*este texto foi publicado no “avante!” nº 1951 de 20.04.2011
1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monet%C3%A1rio_Internacional
2 http://ddata.over-blog.com/xxxyyy/2/48/17/48/Fichiers-pdf/Think-tanks/rapport_europe_strauss_kahn_fr.pdf
2 http://ddata.over-blog.com/xxxyyy/2/48/17/48/Fichiers-pdf/Think-tanks/rapport_europe_strauss_kahn_fr.pdf
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