O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, manifestou sua expectativa de que o governo da Colômbia respeite os direitos de Joaquín Pérez Becerra, editor da Agência de Notícias Nova Colômbia (ANNCOL), com sede em Estocolmo, Suécia, frisando que a chegada do acusado de ser membro das Farc a Caracas se deveu a uma armadilha.
A polícia venezuelana prendeu Becerra, que tinha ordem de detenção emitida pela Interpol internacional, na sua chegada ao aeroporto internacional de Caracas, no dia 23 último, após viajar da Suécia, com escala na Alemanha. Dias depois, as autoridades venezuelanas deportaram Pérez Becerra para a Colômbia. Becerra divulga pela agência ANNCOL posicionamentos das Farc sobre a Colômbia, cujo governo o reclama por supostos delitos “relacionados com o terrorismo”.
“Montaram uma armadilha para Becerra para me assestar uma punhalada, mas aqui não somos idiotas”, disse Chávez.
“Eu espero que o governo da Colômbia respeite seus direitos humanos, lhe conceda o direito à defesa e tomara que ele possa demonstrar que é falso aquilo do que é acusado”, assinalou Chávez no ato do 1º de Maio em Caracas. “Eu lamento muito e não estou dizendo que ele seja um terrorista nem que seja culpado do que o governo colombiano o acusa”, afirmou. O presidente venezuelano assinalou ainda que, contudo, “alguém deveria informar quem o convidou para cá, quem o pôs na armadilha, porque o mandaram para cá e o estavam caçando, todo mundo sabia. São movimentos infiltrados até a medula”, acrescentou.
Chávez perguntou-se ainda como Pérez Becerra pôde sair da Suécia e passar pelos controles de segurança no aeroporto de Frankfurt (Alemanha) para alcançar o avião em que chegou a Caracas.
Assinalou que o governo da Colômbia sabia como estava vestido e até em que cadeira viajava a Caracas. Chávez indicou que o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, telefonou para lhe informar da chegada de Pérez Becerra ao aeroporto internacional de Maiquetía, na periferia de Caracas, e relatou que seu governo se comunicou com o avião para confirmar a informação.
“O governo da Colômbia, a Interpol, e estou seguro, a CIA e todos os corpos de inteligência sabiam até em que cadeira Becerra vinha”, disse.
“A única alternativa que eu tinha era cumprir os compromissos internacionais da Venezuela e enviá-lo ao governo que o estava solicitando, que é o governo da Colômbia”, acrescentou Chávez, antes de finalizar dizendo que “ninguém da extrema direita nem da extrema esquerda irá me chantagear. Se não o prendo sou mau, se o prendo, também, eu só cumpri com a minha responsabilidade”.
Na primeira metade dos anos 90, o jornalista Becerra foi vereador no município de Corinto, departamento do Vale do Cauca, pela União Patriótica (UP), movimento de oposição na Colômbia. Depois de uma matança perpetrada pelos paramilitares em que foi assassinada sua mulher e outros membros de sua família, Becerra exilou-se na Suécia e hoje possui nacionalidade sueca.
Suzana Santos
By: Hora do Povo

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