Saiu no Blog do deputado Anthony Garotinho, que recolhe assinaturas para montar uma CPI sobre Ricardo Teixeira (e, logo, sobre o sogro, João Havelange e, por identidade genética, da Globo também) ?
Neste domingo, o programa Domingo Espetacular da Rede Record – onde trabalha este ansioso blogueiro – exibiu reportagem que tratou de Ricardo Teixeira, João Havelange e, por elipse, da Globo (aquela organização que “matou” a Dilma neste fim de semana, e mereceu profunda análise do Cloaca e do Bessinha).
Interessante, amigo navegante, como funciona o Globope.
A reportagem sobre Ricardo Teixeira e Havelange dava, às 21h13, um Ibope de 19 contra 20 da Globo.
Ai, amigo navegante, o Ibope travou.
Pifou.
Deu pau.
Voltou na contagem minuto a minuto 29 minutos depois.
E como estava o Globope, 29 minutos depois ?
Record 18,9 contra 18,6 da Globo.
Esquisito, né, amigo navegante …
Parece a contabilidade da CBF (ou da FIFA).
Do que tratava a reportagem do Domingo Espetacular ?
De um programa da BBC inglesa – a mais respeitada televisão do mundo – sobre a roubalheira na FIFA.
É uma versão para a televisão do livro – que a FIFA tentou censurar – “Jogo Sujo” (“Foul”, em inglês), “o mundo secreto da FIFA – compra de votos e escândalo de ingressos”, do jornalista inglês Andrew Jennings, editado no Brasil pela Panda Books.
Jennings aparece várias vezes na reportagem ao tentar entrevistar Teixeira.
Ouve-se ele berrar “Mister Teixeira !” e o Mr. Teixeira escafede-se.
Jennings trata de alguns tópicos da carreira de Havelange e Teixeira, esses heróis do PiG (*) e especialmente do jornalismo esportivo da Globo.
(O que seria da Globo sem Havelange e Teixeira na FIFA ?
Na FIFA, para distribuir exclusividade de transmissão.
E na CBF para dar acesso exclusivo ao Cala a Boca Galvão e à Fatima Bernardes à seleção ?
O que seria do Brasileirinho sem o apoio do Teixeira ?)
Jennings considera que Havelange introduziu o sistema da Máfia na FIFA.
E levou o genro para compartilhar dos lucros.
Jennings começa com a descrição de como a Inglaterra deixou de ser sede da Copa de 2018 para a Rússia e como o Qatar venceu a de 2022.
O dirigente inglês David Triesman diz que a Inglaterra foi roubada.
E contou ao Parlamento da Inglaterra que o Teixeira chegou para ele e perguntou, assim, na lata: “o que você tem aí pra mim ? (“what do you have for me ?”).
Jennings também demonstra que Ricardo Teixeira recebia propina através de uma empresa de nome ISL, que tinha o monopólio de comercializar direitos de transmissão e publicidade nos jogos da Copa.
(Aqui no Brasil, Teixeira concedeu esse monopólio à Traffic do Jota Hawilla.)
Jennings acredita que João Havelange recebeu US$ 50 da ISL.
E que Ricardo Teixeira recebeu US$ 9,5 milhões da ISL, através de uma empresa de fachada num paraíso fiscal, a SANUD.
O amigo navegante pensa que acabou ?
Não, Jennings foi mais fundo.
Ele revela que Havelange e Teixeira tiveram que fazer um acordo com autoridades suíças – a FIFA fica na Suíça (êpa ! êpa !) - e devolver cinco milhões e meio de francos suíços (cerca de dez milhões de reais) de propina recebida.
Gente finíssima.
Como se sabe, Joseph Blatter, o sucessor de Havelange (por ele escolhido) deve reeleger-se presidente da FIFA esta semana.
À ultima hora, o competidor, o representante das federações asiáticas, retirou-se da luta.
Desistiu de ser presidente da FIFA.
Imagine, amigo navegante.
Sabe por que ?
Porque ele é o suspeito de ter “vendido” a Copa ao Qatar.
Coisa pouca.
(Sobre a Copa do Brasil, no livro, Jennings conta que, segundo Teixeira, não foi o Nunca Dantes quem trouxe a Copa para cá. Porque o Lula não decide nada. Quem trouxe foi ele, o Teixeira, que deve decidir tudo.)
Os deputados Aldo Rebelo e Silvio Torres, com a ajuda do deputado Eduardo Campos, empreenderam uma batalha feroz na CPI CBF-Nike, de 2002.
A CPI se instalou logo depois da retumbante derrota na Copa da França, quando a Nike escalou o Ronaldo Fenômeno, no vestiário, ao sair de um hospital francês que o tratou de uma convulsão poucas horas antes do jogo final.
A “bancada da bola”, com a ajuda do Supremo Tribunal Federal, conseguiu a proeza de impedir a publicação do relatório final da CPI nos Anais da Câmara.
E quase impede a distribuição do livro “CBF-Nike, os investigações da CPI do Futebol da Câmara dos Deputados desvendam o lado oculto dos grandes negócios da cartolagem e passam o futebol brasileiro a limpo”, editado pela Casa Amarela.
A CPI incriminou Ricardo Teixeira 13 – 13 ! – vezes.
Foi Teixeira em cana ?
Claro que não !
Depois de doze anos de tramitação na Justiça – o Pimenta conseguiu “tramitar” onze anos –, as ações contra Teixeira se arquivaram por “decurso de prazo”.
Viva o Brasil !
Clique aqui para ver como o Bessinha “julga” a Justiça brasileira.
Será que o deputado Garotinho consegue emplacar a CPI Teixeira-Globo ?
Será que o Romário coloca a assinatura de volta, ele que tinha assinado e retirou depois ?
Será que a “bancada da Globo” vai deixar ?
Será que a “bancada da bola”, provisoriamente desfalcada do nobre deputado Eurico Miranda, vai consentir ?
Será que o Teixeira e o sogro serão personagens de reportagens investigativas só na Inglaterra ?
O que você tem aí pra mim, amigo navegante ?
Viva o Brasil !
Em tempo: na pág. 22 do jornal “Brasil Econômico” desta segunda feira, Marcos Malucelli, presidente do Atlético Paranaense diz: “Os clubes jogaram R$ 400 milhões fora em acordo com a Globo”. Onde foi parar esse dinheiro, essa micharia de R$ 400 milhões ? Vamos chamar o Jennings !
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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