“É natural que Lula se reúna com seus companheiros de partido e participe das discussões que estão na ordem do dia. Estranha seria a omissão do ex-presidente. É também natural que Lula empreste essa sua experiência à presidenta Dilma Rousseff"
Walter Pinheiro*
A aparição pública do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que veio a Brasília para reuniões com deputados e senadores do PT, provocou o maior frisson na mídia e desesperados muchochos da oposição.
Para quem não sabe, faz bem lembrar: o ex-presidente Lula deixou a Presidência da República, mas não se aposentou da vida pública. Ao contrário, eleito por aclamação, Lula é o presidente de honra do PT.
Nessa condição e com a liderança que possui, é natural que Lula se reúna com seus companheiros de partido e participe das discussões que estão na ordem do dia. Estranha seria a omissão do ex-presidente.
Com a experiência de quem governou o país por oito anos, e deixou o governo com os maiores níveis de aprovação de toda a nossa história republicana, é também natural que Lula empreste essa sua experiência à Presidenta Dilma Rousseff. Um eventual aconselhamento à sua sucessora, senão rotina, deve ser encarado como fato absolutamente normal.
Os críticos da visita de Lula a Brasília estão calejados de saber que ele não fez nenhuma sombra ao governo nem diminuiu a autoridade da presidenta Dilma. Deram essa interpretação ao fato, com estardalhaço descabido, para esconder outro temor.
De volta à ribalta, o ex-presidente mostrou disposição invejável para o exercício da política. Está atualizado e comprometido com o crescimento do PT. Tem os olhos voltados para as eleições municipais de 2012.
Lula já disse que vai percorrer o país para ajudar ao PT a ampliar a sua presença nos municípios brasileiros. O partido tem pela frente o desafio de buscar a vitória em prefeituras que são ícones do processo eleitoral.
Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis. Essas importantes capitais estão carentes de uma administração do PT. O partido tem o desafio de voltar a governar a prefeitura paulistana e de conquistar as demais. E a liderança do presidente Lula é um facilitador para vencer esse desafio.
Essa possibilidade preocupa a muita gente. Mais que preocupa, assusta, arrepia, como mostrou a reação da mídia. Porque o modelo PT de governar tem se mostrado um caminho seguro. Os municípios brasileiros que experimentaram a administração participativa rejeitam a volta a um passado de administradores que nunca visaram o interesse público.
É isso o que está por trás da volta triunfal de Lula. Seu retorno mais cedo do que muitos imaginavam está sendo explorado com um viés negativo. Tentam até associar o nome do ex-presidente a novos escândalos numa vã tentativa de macular sua liderança agora, para que ela não frutifique adiante.
Mas essas intrigas de aluguel não passarão. Resistiremos a elas sempre que forem colocadas. Se não se sustentaram durante uma semana no noticiário, não terão validade daqui a um ano quando o país estará imerso em um debate sobre o seu desenvolvimento.
À frente das candidaturas do PT estará o presidente Lula com sua visão da floresta ajudando a plantar novas árvores. É com essa dura realidade, que se apresentou mais cedo do que muita gente imaginava, que os empedernidos do atraso terão de conviver daqui para frente.
*Walter Pinheiro, 52, é senador pelo PT da Bahia
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