A "reunião secreta" (expressão do autor) é revelada no livro "O Efeito Marina", do deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ). A obra foi obtida em primeira mão pela Folha.
Mantida em segredo até hoje, a conversa na casa de FHC ocorreu em fevereiro de 2010, quando os tucanos ainda sonhavam com a possibilidade de Marina ocupar a vice na chapa de Serra.
Procurado, o tucano não quis se manifestar sobre o episódio.
Em seu relato, Sirkis diz que o encontro teve outro motivo: negociar o palanque duplo de Fernando Gabeira (PV), apoiado pelos dois presidenciáveis em sua candidatura ao governo do Rio.
SUSPEITA DE GRAMPO
O livro revela que Serra, ainda à frente do governo de São Paulo, acreditava estar grampeado em plena pré-campanha ao Planalto.
"Serra chegou à reunião muito desconfiado. Deixou seu celular em outro quarto, alegando que havia grampos capazes de monitorar conversas até por aparelhos desligados", conta Sirkis.
O deputado diz que o tucano começou a conversa "meio tenso", mas "relaxou" com ajuda da "contagiante simpatia" do anfitrião.
Ao fim da reunião, Serra levou Sirkis para jantar no Palácio dos Bandeirantes.
"Não falamos mais sobre a campanha eleitoral, mas sobre questões de gestão pública e lembranças dos tempos da ditadura e do exílio", conta o deputado no livro.
Coordenador da pré-campanha de Marina, o verde revela que também foi a Belo Horizonte para uma reunião com o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
Eles negociaram o lançamento de um candidato próprio do PV, que apoiava os tucanos no Estado. Em troca, os verdes apoiaram o tucano na corrida ao Senado.
O livro de Sirkis conta outros bastidores da candidatura de Marina.
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