do Projeto Nacional

O Brasil é o país que vê os imigrantes de maneira mais positiva, segundo uma pesquisa global que ouviu 17 mil pessoas em 23 países, publica hoje o site da BBC.
“Quase metade dos brasileiros (49%) ouvidos pelo instituto de pesquisa Ipsos MORI disse que os imigrantes tornam o país um lugar mais interessante de se viver, enquanto 47% acreditam que a imigração traz benefícios para a economia do Brasil.
A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre seu grau de satisfação com os níveis de imigração em seus países. Enquanto 41% dos brasileiros ouvidos disseram que há um excesso de imigrantes no país, o número de pessoas insatisfeitas com a presença de estrangeiros foi consideravelmente maior em alguns países europeus, como Rússia (77%), Bélgica (72%), Grã-Bretanha (71%), Itália (67%) e Espanha (67%).”
Grã-Bretanha, Espanha, Bélgica e Estados Unidos têm altos índices – entre 66 e 76% – de insatisfação com “a deterioração dos serviços públicos” trazida pelos imigrantes, contra 37% no Brasil. Acho que a pesquisa andou ouvindo gente em Higienópolis para dar este número.
O Brasil, com a história que tem de imigração e com o caráter plural que nosso povo tem – embora o terrorista de Oslo não pense assim – jamais fechará a porta a quem queira emigrar para cá, com a família e a trouxa de roupa. Mas tem que se cuidar para não virar receptor de profissionais que venham apenas ganhar e levar.
Os vistos de trabalho para estrangeiros aumentou 19,4% no primeiro semestre deste ano, comparado com o primeiro semestre do ano passado. Foram 26.545 autorizações, contra 22.188 em 2010. Destes, porém, só 1.861 foram vistos permanentes.
Em algumas áreas, como equipamentos petrolíferos, trazidos juntos com seus operadores e tripulantes, o crescimento das atividades de exploração justifica a alta. E é muita gente, 8,2 mil dos vistos concedidos no semestre.
Mas em outras, não.
Importamos 762 administradores, diretores e executivos. As grandes empresas estrangeiras pagam aqui o dobro ou o triplo do que pagam em suas sedes para estes profissionais e não cuidam de formar pessoal local para substituí-los. Cabe ao Estado brasileiro criar mecanismos fiscais que induzam a essa formação e progressiva substituição dos estrangeiros por brasileiros, que têm capacidade de sobra .
Só no ano passado, formamos 50 mil mestres e doutores, muitos deles absolutamente capazes para qualquer posto elevado, mas sem a experiência exigida em cargos dirigentes.
O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes, Jorge Almeida Guimarães, diz que o argumento das empresas de que as universidades brasileiras formam um profissional despreparado para ingressar no mercado de trabalho, é desculpa: “Nós formamos profissionais que servem para a Embraer, Embrapa, Petrobras e Vale. Por que eles não servem para as outras companhias?”
O agravamento da crise mundial e mais retração nas economias centrais vão piorar este quadro. É absolutamente legítimo ao Estado brasileiro, sem proibir a entrada de qualquer profissional, de qualquer nível, criar mecanismo de defesa da presença de brasileiros nos postos dirigentes e intermediários das grandes empresas que aqui se instalam.
Até porque, se elas querem ser um pouco brasileiras, participar no sso mercado e fazer sua parte no desenvolvimento do país, não podem ter brasileiros só nos postos mais baixos.
Aí não é ser, como devemos ser, hospitaleiros. É ser trouxa.
Publicado originalmente no Tijolaço.
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