do PORTAL TERRA
Cerca de 4 mil trabalhadores rurais sem terra ocuparam a entrada principal da sede do Ministério da Fazenda na manhã desta terça-feira. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Cerca de 4 mil trabalhadores rurais sem terra ocuparam a entrada principal da sede do Ministério da Fazenda nesta manhã
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
LUCIANA COBUCCI
Direto de Brasília
Após invadir e ocupar nesta terça-feira uma fazenda do grupo Cutrale, um dos maiores produtores de laranja do País, no interior de São Paulo, o coordenador-geral do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Valdir Misnerovicz, justificou a ocupação como sendo uma forma "sem custos" para o governo de fazer a reforma agrária. O MST alega que as terras pertencem à União, foram indevidamente ocupadas pela Cutrale e que devem ser incluídas na reforma agrária.

"Estamos lá justamente para recuperar, contribuir para que a União possa recuperar aquilo que a ela pertence e possa fazer o assentamento. Continuamos mobilizados, acampados, lutando, entendemos que aquela é uma área que foi apropriada indevidamente, devem ser colocadas para reforma agrária, que é a forma que o governo tem de fazer assentamento sem maiores custos, já que é uma alegação do governo a dificuldade de recursos. As terras públicas são a possibilidade de fazer assentamento sem custos, então continuaremos fazendo isso", alegou.
Os militantes também invadiram, na manhã desta terça-feira, o Ministério da Fazenda, em Brasília, e impediram os funcionários de entrar no prédio. Somente após a promessa de uma reunião com membros do governo é que os ocupantes do prédio deixaram o local. Os representantes do MST estiveram reunidos por quase três horas com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e outras autoridades, para quem apresentaram uma pauta de reivindicações.
José Valdir afirmou que o movimento não descarta novas invasões de prédios públicos e que vai esperar a resposta do governo a respeito das reivindicações. "Tudo o que será feito daqui para frente depende do retorno dessas negociações que estão sendo feitas. Esperamos que por parte do governo possa ter retorno a contento. Continuaremos mobilizados, de plantão, e avaliando a cada momento o que deveremos fazer daqui pra frente", disse. Segundo ele, o ministro Gilberto Carvalho não reclamou da ocupação do ministério por reconhecer que a pressão do movimento é "legítima".
O coordenador-geral do movimento prometeu reunir, na manhã de quarta, em Brasília, 15 mil integrantes do MST para uma passeata na Esplanada dos Ministérios. Membros do movimento também estarão mobilizados em, pelo menos, 20 outros Estados na tentativa de pressionar o governo pela aprovação da pauta de reivindicações.

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