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[EcoDebate] A crise econômica da Grécia tem trazido sofrimento para o povo grego, instabilidade para a economia do Euro e aumentado das incertezas do cenário internacional. A Grécia, que tanto contribuiu para a cultura ocidental e mundial, vive uma situação econômica muito precária e frágil.

Em 2010, o produto Interno Bruto (PIB) da Grécia era de 305 bilhões de dólares, para uma população de 10,7 milhões de habitantes. A renda per capita estava em 29 mil dólares, o que equivalia a quase 3 vezes a renda per capita brasileira. Mas o crescimento da Grécia, nos últimos anos, aconteceu por meio de déficits internos e externos crescentes. A dívida pública estava em 150% do PIB. Em 2008 a Grécia exportou 25,6 bilhões de dólares e importou 89,6 bilhões de dólares, resultando em um déficit da balança comercial de 64 bilhões de dólares. Em 2010, o déficit comercial caiu para 30 bilhões de dólares, mas mesmo assim, isto representou cerca de 10% do PIB. Um dos componentes do déficit comercial grego são as altas importações de petróleo, que estavam em torno de 500 mil barris por dia, em 2008.
Por conta dos desequilíbrios, o PIB da Grécia deve ter uma queda em torno de 15% entre 2009 e 2011 e as perspectivas de retomada do crescimento não são animadoras. Uma rápida olhada no quadro da economia grega possibilita ver que a Grécia precisa reduzir os déficits comerciais e fiscais, aumentar os investimentos para gerar emprego, gerar superávits fiscais e comerciais para reduzir a dívida pública e retomar a capacidade de administração das políticas sociais.
Parece uma missão impossível. Mas existe uma solução que pode ser boa para a Grécia, para a Europa, para o mundo e para o meio ambiente. A solução passa pela utilização dos recursos naturais que a Grécia é rica e que já foi explorado pela mitologia grega. Na rica cultura helênica, Éolo era o deus dos ventos e Hélio era a representação divina do Sol. O famoso Colosso de Rodes, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, era uma estátua dedicada ao deus Hélio.
Portanto, a Grécia já conhece, há muito tempo, o poder do vento e do sol. Mas os gregos modernos sucumbiram à facilidade da utilização do petróleo, mesmo tendo de pagar um alto preço pela importação de combustíveis fósseis. Porém, a crise econômica atual pode servir como ponto de inflexão nesta história.
Se a Grécia investir em energia eólica e solar pode deixar de ser importadora bruta de energia para se tornar exportadora líquida. A produção doméstica de energias renováveis seria uma solução para os múltiplos problemas gregos, pois, em um primeiro momento, a construção de turbinas eólicas, de painéis fotovoltaícos e de usinas de Energia Solar Concentrada poderia gerar empregos verdes, gerar impostos para o Estado e criar um efeito multiplicador que ajudaria toda a economia do país. Em um segundo momento, a Grécia poderia exportar energia renovável para o resto da Europa, gerando recursos para reverter os déficits comerciais e para abater a dívida pública.
Portanto, a produção de energia eólica e solar pode ser a melhor solução para a saída da crise econômica grega. Mas, fundamentalmente, esta solução pode ser essencial para a resolução da crise ambiental e para mitigar os problemas do aquecimento global. Com a ajuda dos deuses Éolo e Hélio, a Grécia pode renovar e revigorar sua economia e o meio ambiente, contribuindo para colocar o país no caminho da economia verde, renovável e limpa.
José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br

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