do Blog Projeto Nacional

O pessoal que diz que foi temerária a decisão do Banco Central de baixar os juros porque não se sabe o quanto será profunda e duradoura a retração das economias centrais o que tem a dizer do dado divulgado hoje pelo Governo americano manteve-se parado, sem que, literalmente, nenhum posto de trabalho tenha sido criado em agosto. E, de quebra, revisou para baixo o número de empregos criados em julho, que baixou de 117 mil para 85 mil as vagas criadas em julho.


Para você comparar, em janeiro de 2009, com todos os efeitos da crise de 2008, o desemprego americano era de 7,6%. Agora eram – e continuam a ser – 9,1%.


A população do Brasil é 35% menor que a dos EUA, a formalização do trabalho aqui é menor do que lá e a imprensa achou “fraco” o resultado de 140 mil vagas de carteira assinada criadas aqui.


Na Europa, a situação não é melhor: o desemprego nos 17 países que usam o Euro como moeda, a taxa de desemprego está em 10%


E europeus e americanos vivem crises em seus níveis de endividamento público que não permitem vislumbrar qualquer política fiscal ou monetária capaz de influir fortemente para a reversão deste quadro.


Irresponsável não foi a baixa de juros do Banco Central. Irresponsável seria seguir numa política de retração econômica quando os sinais da economia mundial apontam claramente para, no mínimo, um forte desaquecimento.

Não apenas os superávits crescentes do Tesouro Nacional não nos exigem oferecer títulos a taxas elevadas, como são estes juros altos, mais do que qualquer outro fator, que comprometem nossos gastos públicos. No mundo, só a naufragante Grécia, cuja situação dispensa comentários, paga mais que nós, em relação ao seu PIB, de juros de sua dívida: 6,5% do Produto Interno Bruto, contra 5% que pagamos aqui.


E nossa dívida, também em relação ao PIB, é bem menor que a dos países desenvolvidos. Isto é: pagamos muito mais, devendo menos. O Brasil deve 57,40% de seu PIB, enquanto o Japão deve 200% do seu, mas paga apenas 1,43% dele em juros.


Quem, no Brasil, quiser defender racionalidade dos gastos públicos e austeridade fiscal não pode ter outra posição senão a de apoiar a queda dos juros, quando a situação não apenas o permite, mas o exige.

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