| Munhoz: superávit não paga nem metade dos juros (Fabio Pozzebom) |
Contrariando lobby do mercado financeiro,
Copom reduz Selic em 0,5 ponto a 12%/ano
Um dia após a presidente Dilma Rousseff apelar pela redução de juros no país, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) reduziu em meio ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), de 12,5% ao ano para 12% ao ano.
Até o final de julho, o país já havia torrado R$ 138 bilhões com pagamento de juros da dívida pública.. Para o economista Dércio Munhoz, ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), a ampliação do superávit primário (desvio de dinheiro para gastar com juros), em R$ 10 bilhões, anunciada pelo governo poucos dias antes da reunião do Copom, não determinou a redução da Selic.
"O superávit primário não paga metade do gasto com juros, que este ano deve se aproximar dos R$ 300 bilhões, caso o Copom não prossiga reduzindo a Selic", contabiliza Munhoz, classificando como "ilegalidade" a interferência do BC sobre a flutuação da dívida do governo, que deveria estar a cargo do Ministério da Fazenda, segundo o economista.
"Cortar gastos será um tiro no pé, pois compromete o investimento, que até agora não passou de R$ 20 bilhões, enquanto os aumentos da Selic já elevaram o gasto com juros em R$ 40 bilhões. Assim, qualquer aceleração da economia levará o BC a aumentar juros outra vez", criticou.
Munhoz, no entanto, destacou positivamente iniciativa do senador Lindberg Farias (PT-RJ), que propõe a proibição da emissão de títulos da dívida atrelados à Selic.
"A proposta vai na direção correta, mas exigirá que as centrais sindicais e os demais setores da sociedade dêem suporte ao governo. Caso contrário, o Estado não terá força para vencer o lobby do mercado financeiro", alertou o ex-presidente do Cofecon.
"A relação do BC com o Tesouro é espúria e reflete a submissão do país às teses de autonomia do Banco Central, impostas pelo FMI e que estão mantendo a Europa em recessão", finalizou.
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