do BLOG PROJETO NACIONAL
A decisão das montadoras de paralisarem sua produção não tem a ver apenas com uma retração das vendas no mercado interno.
Ela não é resultado, essencialmente, das restrições ao crédito. O crédito mais caro não impediu, até algum tempo, que as vendas subissem.
O setor sentiu o impacto das decisões do Banco Central restringindo a lucratividade dos negócios com dólar. Os bancos das montadoras eram dos que mais praticavam a chamada “arbitragem”: pegar dinheiro barato lá fora e emprestar caro aqui.
Atua, também, sobre o setor, a recuperação do valor do dólar e mais moderação na demanda internacional- o que influi sobre suas exportações.
Mas o problema maior é mesmo o papel que as montadoras brasileiras ocupam na teia das corporações mundiais de que fazem parte. Nossa montadoras remeteram às matrizes US$ 4 bilhões de lucros no ano passado e investiram apenas US$ 450 milhões em suas filiais brasileiras, como revela a análise de Fernando Sarti e Célio Hiratuka, publicada em fevereiro pela Carta Capital.
Esse quadro é descrito hoje, com muitos detalhes, na reportagem de Raquel Landim , no Estadão, mostrando como o setor reagir à proposta do Governo de oferecer redução de IPI em troca de investimentos em inovação e agregação de conteúdo nacional à fabricação de veículos.
“Outro ponto que incomoda o governo é que as montadoras se recusam a repassar uma eventual redução de IPI para o consumidor, como ocorreu na crise. “Se não repassarem, servirá apenas para elevar a margem de lucro”, diz a fonte. As montadoras argumentam que a desoneração visa a melhorar a competitividade e não aumentar o consumo.
Segundo um executivo do setor automotivo, as montadoras ainda lutam para convencer o governo a reduzir o IPI, em vez de elevar o imposto para quem ficar de fora. As empresas argumentam que mais imposto eleva a proteção, mas não aumenta a competitividade para fabricar no Brasil. ”
É por isso que os chineses avançam cada vez mais. Topam qualquer negócio em troca de mais mercado, mais escala, mais presença. Aqui, a cultura empresarial das montadoras é topar até fazer menos negócios, desde que façam mais lucro.
Por: Fernando Brito
Ela não é resultado, essencialmente, das restrições ao crédito. O crédito mais caro não impediu, até algum tempo, que as vendas subissem.
O setor sentiu o impacto das decisões do Banco Central restringindo a lucratividade dos negócios com dólar. Os bancos das montadoras eram dos que mais praticavam a chamada “arbitragem”: pegar dinheiro barato lá fora e emprestar caro aqui.
Atua, também, sobre o setor, a recuperação do valor do dólar e mais moderação na demanda internacional- o que influi sobre suas exportações.
Mas o problema maior é mesmo o papel que as montadoras brasileiras ocupam na teia das corporações mundiais de que fazem parte. Nossa montadoras remeteram às matrizes US$ 4 bilhões de lucros no ano passado e investiram apenas US$ 450 milhões em suas filiais brasileiras, como revela a análise de Fernando Sarti e Célio Hiratuka, publicada em fevereiro pela Carta Capital.
Esse quadro é descrito hoje, com muitos detalhes, na reportagem de Raquel Landim , no Estadão, mostrando como o setor reagir à proposta do Governo de oferecer redução de IPI em troca de investimentos em inovação e agregação de conteúdo nacional à fabricação de veículos.
“Outro ponto que incomoda o governo é que as montadoras se recusam a repassar uma eventual redução de IPI para o consumidor, como ocorreu na crise. “Se não repassarem, servirá apenas para elevar a margem de lucro”, diz a fonte. As montadoras argumentam que a desoneração visa a melhorar a competitividade e não aumentar o consumo.
Segundo um executivo do setor automotivo, as montadoras ainda lutam para convencer o governo a reduzir o IPI, em vez de elevar o imposto para quem ficar de fora. As empresas argumentam que mais imposto eleva a proteção, mas não aumenta a competitividade para fabricar no Brasil. ”
É por isso que os chineses avançam cada vez mais. Topam qualquer negócio em troca de mais mercado, mais escala, mais presença. Aqui, a cultura empresarial das montadoras é topar até fazer menos negócios, desde que façam mais lucro.
Por: Fernando Brito
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