Carta Maior
Pressionado, BC corta juro pela primeira vez com Dilma e em 2 anos
Depois de o governo anunciar que vai pagar mais R$ 10 bilhões em juros da dívida este ano e de movimentos sociais irem às ruas, Banco Central cumpre roteiro anti-crise internacional, contraria previsão do 'mercado' e corta taxa Selic em meio ponto percentual, para 12%. Juro tinha caído pela última vez em julho de 2009. Mesmo assim, sindicalistas e industriais criticam 'remédio certo na dose errada'.
André Barrocal
BRASÍLIA – Depois de o ministério da Fazenda anunciar o reforço no pagamento de juros da dívida (superávit primário) em R$ 10 bilhões e de muita pressão dos movimentos sociais, sobretudo centrais sindicais e estudantes, o Banco Central (BC) contrariou a expectativa do “mercado” e, pela primeira vez no governo Dilma Rousseff, cortou a taxa de juros. A chamada Selic, maior juro do planeta, foi reduzida de 12,5% para 12%, por decisão de cinco, dos sete diretores do BC.
A última vez que o BC tinha cortado o juro havia sido em julho de 2009 (de 9,25% para 8,75). O “mercado”, que o BC consulta toda semana sobre uma série de indicadores, apostava, de acordo com boletim divulgado pelo próprio banco, que a taxa permaneceria em 12,5%, depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (31/08).
A decisão foi comunicada de forma incomum. Em vez de uma nota lacônica, como costuma fazer, o BC soltou um informe mais longo. Nele, justifica a opção pela queda dos juros com um argumento básico: o cenário internacional. Segundo o texto, houve “reduções generalizadas e de grande magnitude” nas projeções de crescimento das economias mais desenvolvidas”, e esta situação de dificuldade deve se prolongar por mais tempo do que se imaginava antes.
Com a economia internacional desaquecida, segue o BC, diminuem as pressões inflacionárias dentro do Brasil, porque o próprio país tende a desacelerar economicamente.
Apesar da queda , os setores reais da economia mantiveram a pressão sobre o Banco Central. Em nota oficial, a Força Sindical classificou a redução de “tímida e insuficiente”. A taxa deveria ter caído mais. “Infelizmente está prevalecendo uma maléfica simpatia da equipe econômica pelo mercado especulativo”, afirma a nota.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) fez crítica igual. O BC teria tido “excesso de conservadorismo” e errado na dose de um remédio correto. “Ao manter os juros elevados, o Copom acaba retraindo o consumo e trazendo para o Brasil os efeitos da crise internacional”, diz a nota.
O plano de enfrentar a crise econômica internacional com redução de juros – mas ampliação do superávit primário – havia sido apresentado a sindicalistas e a dirigentes de partidos aliados do governo pela presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última segunda-feira (29/08).
Os sindicalistas reclamaram do reforço do pagamento de juros – R$ 10 bilhões a mais em 2011 -, e esperavam que, ao menos, o BC cumprisse sua parte e, já nesta quarta-feira (31/08), cortasse a Selic. Na véspera, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) havia feito um protesto na frente da sede do BC em São Paulo.
Horas antes da decisão do Copom, a Força Sindical e estudantes que haviam programado uma marcha em Brasília, foram para a porta da sede do BC, em Brasília, para cobrar redução dos juros.
A próxima reunião do Copom será nos dias 18 e 19 de outubro.
Pressionado, BC corta juro pela primeira vez com Dilma e em 2 anos
Depois de o governo anunciar que vai pagar mais R$ 10 bilhões em juros da dívida este ano e de movimentos sociais irem às ruas, Banco Central cumpre roteiro anti-crise internacional, contraria previsão do 'mercado' e corta taxa Selic em meio ponto percentual, para 12%. Juro tinha caído pela última vez em julho de 2009. Mesmo assim, sindicalistas e industriais criticam 'remédio certo na dose errada'.
André Barrocal
BRASÍLIA – Depois de o ministério da Fazenda anunciar o reforço no pagamento de juros da dívida (superávit primário) em R$ 10 bilhões e de muita pressão dos movimentos sociais, sobretudo centrais sindicais e estudantes, o Banco Central (BC) contrariou a expectativa do “mercado” e, pela primeira vez no governo Dilma Rousseff, cortou a taxa de juros. A chamada Selic, maior juro do planeta, foi reduzida de 12,5% para 12%, por decisão de cinco, dos sete diretores do BC.
A última vez que o BC tinha cortado o juro havia sido em julho de 2009 (de 9,25% para 8,75). O “mercado”, que o BC consulta toda semana sobre uma série de indicadores, apostava, de acordo com boletim divulgado pelo próprio banco, que a taxa permaneceria em 12,5%, depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (31/08).
A decisão foi comunicada de forma incomum. Em vez de uma nota lacônica, como costuma fazer, o BC soltou um informe mais longo. Nele, justifica a opção pela queda dos juros com um argumento básico: o cenário internacional. Segundo o texto, houve “reduções generalizadas e de grande magnitude” nas projeções de crescimento das economias mais desenvolvidas”, e esta situação de dificuldade deve se prolongar por mais tempo do que se imaginava antes.
Com a economia internacional desaquecida, segue o BC, diminuem as pressões inflacionárias dentro do Brasil, porque o próprio país tende a desacelerar economicamente.
Apesar da queda , os setores reais da economia mantiveram a pressão sobre o Banco Central. Em nota oficial, a Força Sindical classificou a redução de “tímida e insuficiente”. A taxa deveria ter caído mais. “Infelizmente está prevalecendo uma maléfica simpatia da equipe econômica pelo mercado especulativo”, afirma a nota.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) fez crítica igual. O BC teria tido “excesso de conservadorismo” e errado na dose de um remédio correto. “Ao manter os juros elevados, o Copom acaba retraindo o consumo e trazendo para o Brasil os efeitos da crise internacional”, diz a nota.
O plano de enfrentar a crise econômica internacional com redução de juros – mas ampliação do superávit primário – havia sido apresentado a sindicalistas e a dirigentes de partidos aliados do governo pela presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última segunda-feira (29/08).
Os sindicalistas reclamaram do reforço do pagamento de juros – R$ 10 bilhões a mais em 2011 -, e esperavam que, ao menos, o BC cumprisse sua parte e, já nesta quarta-feira (31/08), cortasse a Selic. Na véspera, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) havia feito um protesto na frente da sede do BC em São Paulo.
Horas antes da decisão do Copom, a Força Sindical e estudantes que haviam programado uma marcha em Brasília, foram para a porta da sede do BC, em Brasília, para cobrar redução dos juros.
A próxima reunião do Copom será nos dias 18 e 19 de outubro.
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