do Projeto Nacional
Uma matéria publicada hoje pela BBC expõe a crueldade daqueles que insistem em se opor a um processo de baixa dos juros no Brasil. Mostra que, mergulhada na crise, os juros pagos para financiar o Estado italiano não menores que aqueles pagos pelo Brasil: 6,67% contra os nossos 11%.


Como a gente em insistido aqui, não é na necessidade de financiamento do setor público brasileiro – traduzindo: numa gastança irresponsável do governo – que se deve procurar as origens de nossos juros estratosféricos. Aquela necessidade de captar dinheiro para financiar seus déficits ou a própria dívida é muito pequena, mesmo tendo o Brasil de pagar uma quantia gigantesca pela amortização e serviço da dívida, hoje superior a 5% de todo nosso PIB.
Menos que a Itália, que paga 4,3% de seu Produto Interno Bruto.
Mesmo descontadas as previsões de inflação para o Real e para o Euro, nossos juros continuam incrivelmente mais altos que os italianos.
O nosso problema é outro, a chamada “armadilha da dívida”, resultado de longos anos de uma política em que a “estabilização interna” da economia dependeu da atração de poupança externa para nossos mercados financeiros.
O volume da dívida pública brasileira é abaixo dos 60% do PIB, metade dos 121% que da dívida italiana representa sobre o PIB de lá.
Desmontar essa arapuca é um processo longo e custoso. Um processo que, como vimos recentemente, enfrenta a pressão política e a chantagem inflacionária e cambial.
E que tem sua encruzilhada decisiva numa política de longo prazo de redução dos juros públicos.
Por: Fernando Brito

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