Lucas Reginato _247 - A música brasileira foi protagonista de uma verdadeira revolução nos últimos anos, causada, principalmente, pela popularização dos computadores e o número cada vez maior de usuários de redes sociais. Artistas que viveram essa mudança de formas distintas se encontraram na Campus Party para discutir o presente e o futuro do cenário artístico brasileiro.
“Eu vi na internet um espaço que eu nunca tinha tido antes nas rádios”, exaltou MV Bill, que viveu exatamente a transição entre “o apagar das luzes no velho modelo de distribuição e o advento das redes sociais”. Emicida, por outro lado, já é um filho deste “novo mundo”, e garante: “nem faço ideia do que seja ICQ. Pra mim cara que fala disso já é da raiz da internet”.
Quem também participou do debate foi a cantora paraense Gaby Amarantos, que começou sua distribuição vendendo seus CD’s nos camelôs de Belém, para só depois chegar nas redes sociais, em um movimento que, não por acaso, foi concomitante ao sucesso que começou a fazer em outros estado do País. Hoje, a “Beyoncé do Pará” fechou contrato com a Som Livre e vai deixar a cena independente porque, segundo ela, “é uma gravadora nacional que está procurando se adaptar ao novo modelo de mercado".
De qualquer geração ou lugar de origem, todos eles concordam que as redes sociais são um caminho para além da música, ou da arte, mas abrange toda a sociedade, por ser completamente horizontal. “Essa estrutura muda completamente minha relação com os fans. Hoje eu chego em um show e já conheço o cara que tá na plateia de tanto ver ele no Twitter”.
Outro ponto de debate foi o conflito entre o “velho e o novo mundo”. Enquanto as rádios, ainda hoje, dão pouco espaço para o cenário independente, qualquer um pode colocar a sua arte no Youtube ou outra página. Emicida fechou a noite com uma história que exemplificou perfeitamente este desentendimento: “fui fazer um evento no centro de São Paulo com vários outros MC’s, e todos nós íamos fazer apenas rimas improvisadas. Quando fomos pedir autorização para os órgãos reguladores, dissemos que não íamos precisar pagar direito autoral, porque era improviso. Eles responderam: ‘mas as palavras já existem’”.
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