Rede Brasil Atual

Presidente da Câmara lembra que comissão vai investigar relações de jornalistas com arapongas e indaga os porquês de a revista publicar matéria distorcendo a finalidade da apuração

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, que deverá 
instalar CPI do Cachoeira em breve, contrariando a Veja 
(Foto: Roberto Stuckert/AC)

São Paulo – O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-SP), publicou nota questionando o motivo de a revista Veja do último final de semana apontar a comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) sobre o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, como uma cortina de fumaça. “Afinal, por que a revista Veja é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a Veja ataca esta CPMI?”, indaga o deputado em nota publicada na noite de domingo (15) na página do PT na internet.

Maia entende que a reportagem “opinativa” partiu de um “ataque desrespeitoso e grosseiro contra minha pessoa” ao apontá-lo como um dos interessados em transformar a comissão parlamentar em uma estratégia para tirar o foco do julgamento do mensalão, que a mídia tradicional aposta que será realizado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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No comunicado, o presidente da Câmara lembra que a decisão de instalação do colegiado foi apoiada de maneira quase unânime pelos partidos com representação no Congresso. “Não é verdadeira, portanto, a tese que a referida matéria tenta construir (de forma arrogante e totalitária) de que esta CPMI seja um ato que vise tão somente confundir a opinião pública”, diz.

Maia lamenta que a revista interprete que a CPMI terá o direito promover uma “caça” a jornalistas que tenham realizado denúncias sobre o envolvimento de políticos com o contraventor, preso no último mês durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal. “Mas posso assegurar que haverá, sim, investigações sobre as graves denúncias de que o contraventor Carlinhos Cachoeira abastecia jornalistas e veículos de imprensa com informações obtidas a partir de um esquema clandestino de arapongagem”, aponta o deputado, em referência às conexões entre o diretor da sucursal de Brasília de Veja, Policarpo Júnior, e a quadrilha de Cachoeira, responsável por informações exclusivas fornecidas ao veículo.

Para o deputado, os métodos “pouco jornalísticos” dos quais se vale a publicação do Grupo Abril são ruins para a consolidação da democracia e para a defesa da liberdade de imprensa. “Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa? Vai mal a Veja! Vale lembrar que, há pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar as portas por denúncias menos graves do que estas. Isto sem falar na defesa que a matéria da Veja faz da cartilha fascista de que os fins justificam os meios ao defender o uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos”, diz o parlamentar.

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