CARTA CAPITAL
LONDRES (AFP) – O Reino Unido entrou em recessão novamente nesta quarta-feira 25, com o anúncio de uma nova contração de sua economia no primeiro trimestre, situação que aumenta a pressão sobre o governo e seu intenso plano de ajuste, acusado de asfixiar a economia.
A economia britânica registrou uma queda de 0,2% no período, de acordo com a primeira de três estimativas oficiais publicada pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS).
O Produto Interno Bruto (PIB) britânico apresentou contração de 0,3% no último trimestre de 2011, mas os analistas esperavam que o país evitasse uma nova recessão – definida tecnicamente como dois trimestres negativos consecutivos – com um leve crescimento de 0,1% entre janeiro e março.
A contração foi impulsionada pela maior queda em três anos do setor da construção (-3%), enquanto a indústria manufatureira continuou um trimestre mais em vermelho.
O Reino Unido entrou oficialmente em recessão nesta quarta-feira 25.
Foto: ©AFP / Miguel Medina
O Reino Unido já sofreu uma profunda recessão na esteira da crise financeira que durou cinco trimestres, de 1 de abril de 2008 a 30 de junho de 2009, período durante o qual a economia perdeu cerca de 7%, segundo as últimas cifras revisadas.
Desta vez, ela acontece em meio a um severo plano de ajuste para tentar reduzir um déficit excessivo e encaminhar as contas públicas e de um agravamento da crise da dívida entre os países que adotaram o euro.
Apesar de o Reino Unido não pertencer à Eurozona, o país entrou na lista de países europeus em recessão, que inclui Grécia, Irlanda, Portugal, Itália, Holanda, Bélgica e, desde o início desta semana, a Espanha.
O primeiro-ministro David Cameron se disse “muito decepcionado” por esta recaída, mas insistiu que seu governo mantenha sem alterações seu drástico plano de ajuste, conforme discurso feito no Parlamento.
O líder da oposição, Ed Miliband, aproveitou para acusar Cameron de ter “criado” a recessão em Downing Street com seu ministro da Economia, George Osborne. “Teremos que reequilibrar a economia. Necessitamos de um setor privado maior, mais exportações, mais investimento”, disse Cameron.
“É um trabalho minucioso e difícil, mas vamos nos ater a nossos planos, às taxas de juros baixas e fazer tudo o que pudermos para impulsionar o crescimento, a competitividade e o emprego”, afirmou ante os deputados.
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