Jornal Correio do Brasil
O ex-governador Bill Richardson, do Novo México (EUA), e o executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, iniciaram na segunda-feira uma polêmica visita particular à Coreia do Norte, o que pode incluir esforços pela libertação de um norte-americano preso no país, segundo a imprensa. A viagem ocorre num momento de tensão por causa do recente lançamento de um foguete pela Coreia do Norte, que, segundo fontes estrangeiras de inteligência, estaria preparando-se para testar uma arma nuclear pela terceira vez. Entretanto, a viagem de Schmidt suscitou o descontentamento do Departamento de Estado norte-americano. Segundo a porta-voz Victoria Nuland, as datas da visita foram mal escolhidas.
A TV sul-coreana MBC disse que Richardson, Schmidt, a filha dele e Jared Cohen, executivo do Google, viajariam de Pequim a Pyongyang num voo da empresa norte-coreana Air Koryo. A agência estatal de notícias norte-coreana, KCBA, posteriormente confirmou o desembarque, sem dar detalhes.
– Vamos perguntar sobre o norte-americano que está detido. Uma visita humanitária particular – disse Richardson.
A missão foi criticada pelo governo dos EUA, que não mantém relações diplomáticas com Pyongyang. Uma fonte do governo norte-americano disse que a viagem ocorre num momento particularmente infeliz, quando o Conselho de Segurança da ONU avalia retaliações pelo lançamento do foguete norte-coreano em 12 de dezembro. Sanções atualmente em vigor proíbem a Coreia do Norte de realizar atividades ligadas a mísseis balísticos -o regime comunista norte-coreano diz que o foguete serviu para colocar um satélite em órbita.
– Estamos num período clássico de provocação com a Coreia do Norte. Geralmente, seus lançamentos de mísseis são seguidos por testes nucleares. Durante esses períodos, é muito importante que a comunidade internacional se una, certamente no nível do Conselho de Segurança da ONU, para demonstrar à Coreia do Norte que eles pegam um preço por descumprir suas obrigações – disse a fonte dos EUA, pedindo anonimato.
Richardson, ex-embaixador dos EUA na ONU, já foi várias vezes à Coreia do Norte. O propósito da atual viagem e as razões para o envolvimento de Schmidt não ficaram clara. O Google disse se tratar de uma visita “pessoal”. Muitos observadores esperam que Richardson negocie a libertação de Kenneth Bae, um guia turístico norte-americano de origem coreana, que foi preso no ano passado. Richardson disse na sexta-feira a uma TV dos EUA que foi procurado pela família de Bae e levaria o caso às autoridades norte-coreanas.
Foguete criticado
Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Alemanha criticaram duramente o lançamento de um foguete pela Coreia do Norte, no mês passado. Também a China lamentou o teste. Apesar de todas as advertências internacionais, o foguete de longo alcance foi lançado na costa oeste norte-coreana. O lançamento aconteceu de forma inesperada, pois a Coreia do Norte havia anunciado que, por problemas técnicos, pretendia prorrogar o prazo para o lançamento até o dia 29 de dezembro.
Segundo a agência de notícias estatal do país, a KCNA, o foguete colocou um satélite científico em órbita terrestre. No entanto, para Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos, o lançamento do satélite foi um pretexto de Pyongyang para testar um foguete com fins militares. Praticamente toda a comunidade internacional condenou o lançamento do foguete pela Coreia do Norte. Os Estados Unidos criticaram o procedimento norte-coreano como um “ato altamente provocador que ameaça a segurança regional” e viola resoluções das Nações Unidas. O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos EUA afirmou que o lançamento seria mais um exemplo do “padrão de comportamento irresponsável norte-coreano.”
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também qualificou o teste norte-coreano como um ato provocador. O secretário-geral está preocupado com a segurança em toda a região, disse um porta-voz de Ban. O Japão também expressou duras críticas a Pyongyang e exigiu uma reunião do Conselho de Segurança da ONU. O teste do foguete não seria permitido, disse um porta-voz do governo em Tóquio. Além disso, destroços do foguete teriam caído na península sul-coreana e no leste das Filipinas.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, anunciou uma reunião extraordinária sobre a segurança nacional ainda para esta quarta-feira. O ministro do Exterior sul-coreano, Kim Sung-hwan, ameaçou a Coreia do Norte com graves consequências.
Também o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, condenou duramente o lançamento. Segundo ele, “com esta provocação deliberada, a Coreia do Norte viola de forma irresponsável suas obrigações internacionais e exacerba a tensão na região.”
O lançamento do foguete norte-coreano também não agradou à China, tradicional aliado de Pyongyang, e tampouco à Rússia. A China disse “lamentar o lançamento do foguete”. Este teria se concretizado “apesar da grande preocupação da comunidade internacional”, disse um porta-voz do Ministério do Exterior nesta quarta-feira, em Pequim. Segundo o porta-voz, a paz e a estabilidade na península coreana só podem ser alcançadas através do diálogo.
Já o Ministério do Exterior da Rússia declarou em Moscou que o lançamento do foguete seria “profundamente lamentável” e que ele não contribuiria para o fortalecimento da estabilidade na região. Ao contrário, teria “efeitos negativos”. É inaceitável que o teste do foguete tenha acontecido apesar da resolução 1874 da ONU, que proíbe a Coreia do Norte de testar foguetes de longo alcance, declarou o ministério russo.
O lançamento foi a segunda tentativa desde que Kim Jong-un subiu ao poder na Coreia do Norte, após seu pai, Kim Jong-il, ter falecido há cerca de um ano. O primeiro teste aconteceu em abril último, mas o projétil caiu pouco após o lançamento. A Coreia do Norte possui foguetes de curto e médio alcance, mas diversos testes de foguetes de longo alcance – em 1998, 2006, 2009 e 2011 – fracassaram. Após tais testes, as Nações Unidas impuseram sanções contra a Coreia do Norte. Além disso, segundo uma resolução da ONU de 2009, o governo em Pyongyang está proibido de lançar foguetes balísticos.
Especialistas norte-americanos acreditam que a Coreia do Norte possua plutônio suficiente para armar dezenas de bombas atômicas. Mas, até agora, não se sabia que o país possuía foguetes capazes de transportar tais bombas.
Abertura aos negócios
O regime comunista da Coreia do Norte propôs manter uma estreita cooperação com o setor privado sul-coreano para “conseguir a reconciliação”, informou nesta segunda-feira o Conselho de ONGs de Cooperação com a Coreia do Norte. Esta entidade, que engloba mais de 50 entidades privadas do Sul dedicadas a dar assistência humanitária ao empobrecido país vizinho, revelou à agência de notícias sul-coreana Yonhap o conteúdo da mensagem de Ano Novo enviado por fax pelo regime norte-coreano.
O comunicado afirma que “os projetos privados de cooperação entre o Sul e o Norte são uma importante missão para conseguir a reconciliação e a unidade das pessoas, assim como para aumentar a prosperidade nacional”. A mensagem é assinada pelo Conselho Nacional para a Reconciliação, uma organização estatal da Coreia do Norte dedicada a promover a amizade com o Sul.
Um dos primeiros passos na direção da abertura do país ao mundo foi a modernização do portal de sua agência de notícias (KCNA) na internet, a fim de oferecer um serviço mais completo e um design renovado, em que a imagem e os arquivos multimídia ganham destaque, como informaram as agências de notícias. O portal (www.kcna.kp) abre agora um grande mosaico de imagens associadas a textos e vídeos que contemplam, em 26 imagens, os maiores feitos alcançados pelo país em 2012, e que precede as habituais seções informativas da agência norte-coreana.
A nova web, que oferece conteúdos em coreano, espanhol, chinês, japonês e inglês e se encontra hospedada em servidores da capital, Pyongyang, se aproxima “ao design e à funcionalidade das principais páginas na web no Ocidente”, como apontou um especialista da agência sul-coreana Yonhap. À margem dos habituais espaços para acompanhar as atividades do líder Kim Jong-un, o novo portal do regime também inclui um espaço para contar sobre o lançamento recente de um satélite, que foi colocado em órbita, em 12 de dezembro, por um foguete de longo alcance. O acesso da página da KCNA segue restrito à Coreia do Sul. O líder norte-coreano, que assumiu o poder há apenas um ano, após o falecimento de seu pai, Kim Jong-il, tem sua imagem cada vez mais destacada na internet.
O ex-governador Bill Richardson, do Novo México (EUA), e o executivo-chefe do Google, Eric Schmidt, chegam à Pyongyang
A TV sul-coreana MBC disse que Richardson, Schmidt, a filha dele e Jared Cohen, executivo do Google, viajariam de Pequim a Pyongyang num voo da empresa norte-coreana Air Koryo. A agência estatal de notícias norte-coreana, KCBA, posteriormente confirmou o desembarque, sem dar detalhes.
– Vamos perguntar sobre o norte-americano que está detido. Uma visita humanitária particular – disse Richardson.
A missão foi criticada pelo governo dos EUA, que não mantém relações diplomáticas com Pyongyang. Uma fonte do governo norte-americano disse que a viagem ocorre num momento particularmente infeliz, quando o Conselho de Segurança da ONU avalia retaliações pelo lançamento do foguete norte-coreano em 12 de dezembro. Sanções atualmente em vigor proíbem a Coreia do Norte de realizar atividades ligadas a mísseis balísticos -o regime comunista norte-coreano diz que o foguete serviu para colocar um satélite em órbita.
– Estamos num período clássico de provocação com a Coreia do Norte. Geralmente, seus lançamentos de mísseis são seguidos por testes nucleares. Durante esses períodos, é muito importante que a comunidade internacional se una, certamente no nível do Conselho de Segurança da ONU, para demonstrar à Coreia do Norte que eles pegam um preço por descumprir suas obrigações – disse a fonte dos EUA, pedindo anonimato.
Richardson, ex-embaixador dos EUA na ONU, já foi várias vezes à Coreia do Norte. O propósito da atual viagem e as razões para o envolvimento de Schmidt não ficaram clara. O Google disse se tratar de uma visita “pessoal”. Muitos observadores esperam que Richardson negocie a libertação de Kenneth Bae, um guia turístico norte-americano de origem coreana, que foi preso no ano passado. Richardson disse na sexta-feira a uma TV dos EUA que foi procurado pela família de Bae e levaria o caso às autoridades norte-coreanas.
Foguete criticado
Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Alemanha criticaram duramente o lançamento de um foguete pela Coreia do Norte, no mês passado. Também a China lamentou o teste. Apesar de todas as advertências internacionais, o foguete de longo alcance foi lançado na costa oeste norte-coreana. O lançamento aconteceu de forma inesperada, pois a Coreia do Norte havia anunciado que, por problemas técnicos, pretendia prorrogar o prazo para o lançamento até o dia 29 de dezembro.
Segundo a agência de notícias estatal do país, a KCNA, o foguete colocou um satélite científico em órbita terrestre. No entanto, para Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos, o lançamento do satélite foi um pretexto de Pyongyang para testar um foguete com fins militares. Praticamente toda a comunidade internacional condenou o lançamento do foguete pela Coreia do Norte. Os Estados Unidos criticaram o procedimento norte-coreano como um “ato altamente provocador que ameaça a segurança regional” e viola resoluções das Nações Unidas. O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos EUA afirmou que o lançamento seria mais um exemplo do “padrão de comportamento irresponsável norte-coreano.”
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também qualificou o teste norte-coreano como um ato provocador. O secretário-geral está preocupado com a segurança em toda a região, disse um porta-voz de Ban. O Japão também expressou duras críticas a Pyongyang e exigiu uma reunião do Conselho de Segurança da ONU. O teste do foguete não seria permitido, disse um porta-voz do governo em Tóquio. Além disso, destroços do foguete teriam caído na península sul-coreana e no leste das Filipinas.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, anunciou uma reunião extraordinária sobre a segurança nacional ainda para esta quarta-feira. O ministro do Exterior sul-coreano, Kim Sung-hwan, ameaçou a Coreia do Norte com graves consequências.
Também o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, condenou duramente o lançamento. Segundo ele, “com esta provocação deliberada, a Coreia do Norte viola de forma irresponsável suas obrigações internacionais e exacerba a tensão na região.”
O lançamento do foguete norte-coreano também não agradou à China, tradicional aliado de Pyongyang, e tampouco à Rússia. A China disse “lamentar o lançamento do foguete”. Este teria se concretizado “apesar da grande preocupação da comunidade internacional”, disse um porta-voz do Ministério do Exterior nesta quarta-feira, em Pequim. Segundo o porta-voz, a paz e a estabilidade na península coreana só podem ser alcançadas através do diálogo.
Já o Ministério do Exterior da Rússia declarou em Moscou que o lançamento do foguete seria “profundamente lamentável” e que ele não contribuiria para o fortalecimento da estabilidade na região. Ao contrário, teria “efeitos negativos”. É inaceitável que o teste do foguete tenha acontecido apesar da resolução 1874 da ONU, que proíbe a Coreia do Norte de testar foguetes de longo alcance, declarou o ministério russo.
O lançamento foi a segunda tentativa desde que Kim Jong-un subiu ao poder na Coreia do Norte, após seu pai, Kim Jong-il, ter falecido há cerca de um ano. O primeiro teste aconteceu em abril último, mas o projétil caiu pouco após o lançamento. A Coreia do Norte possui foguetes de curto e médio alcance, mas diversos testes de foguetes de longo alcance – em 1998, 2006, 2009 e 2011 – fracassaram. Após tais testes, as Nações Unidas impuseram sanções contra a Coreia do Norte. Além disso, segundo uma resolução da ONU de 2009, o governo em Pyongyang está proibido de lançar foguetes balísticos.
Especialistas norte-americanos acreditam que a Coreia do Norte possua plutônio suficiente para armar dezenas de bombas atômicas. Mas, até agora, não se sabia que o país possuía foguetes capazes de transportar tais bombas.
Abertura aos negócios
O regime comunista da Coreia do Norte propôs manter uma estreita cooperação com o setor privado sul-coreano para “conseguir a reconciliação”, informou nesta segunda-feira o Conselho de ONGs de Cooperação com a Coreia do Norte. Esta entidade, que engloba mais de 50 entidades privadas do Sul dedicadas a dar assistência humanitária ao empobrecido país vizinho, revelou à agência de notícias sul-coreana Yonhap o conteúdo da mensagem de Ano Novo enviado por fax pelo regime norte-coreano.
O comunicado afirma que “os projetos privados de cooperação entre o Sul e o Norte são uma importante missão para conseguir a reconciliação e a unidade das pessoas, assim como para aumentar a prosperidade nacional”. A mensagem é assinada pelo Conselho Nacional para a Reconciliação, uma organização estatal da Coreia do Norte dedicada a promover a amizade com o Sul.
Um dos primeiros passos na direção da abertura do país ao mundo foi a modernização do portal de sua agência de notícias (KCNA) na internet, a fim de oferecer um serviço mais completo e um design renovado, em que a imagem e os arquivos multimídia ganham destaque, como informaram as agências de notícias. O portal (www.kcna.kp) abre agora um grande mosaico de imagens associadas a textos e vídeos que contemplam, em 26 imagens, os maiores feitos alcançados pelo país em 2012, e que precede as habituais seções informativas da agência norte-coreana.
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