Brasil 24/7
247 – Os oito anos de governo FHC não podem ser classificados, exatamente, como um milagre econômico. Embora o Brasil tenha conseguido acabar com a inflação (como, aliás, todo o resto do mundo, onde a praga ainda persistia), a média de crescimento, inferior a 2,5%, foi baixa, a dívida pública, a despeito das privatizações, cresceu assustadoramente e o Brasil, sem uma política de acumulação de reservas, foi três vezes ao FMI.
A revista Veja deste fim de semana, no entanto, expressa certa nostalgia do passado. E decidiu ouvir especialistas (em geral, tucanos) para que a economia brasileira cresça de forma mais acelerada. Ou, na imagem usada pelo diretor Eurípedes Alcântara, para que seja ágil como um guepardo – o animal mais rápido da fauna terrestre.
As sugestões, apresentadas como milagrosas por Veja, são um tanto polêmicas.
Edmar Bacha, por exemplo, propõe a redução do gasto público. Segundo ele, o Brasil gasta 20% do PIB com despesas classificadas como sociais, mas os 11% da previdência seriam suficientes. “Toda atividade governamental terá de provar ter o custo menor que o benefício social proporcionado”, diz ele. Bacha sugere ainda que, na saúde, luxo e tratamentos complexos sejam obtidos por meio de seguradoras privadas – detalhe: o Ministério da Saúde acaba de ampliar a lista de procedimentos oncológicos pagos pelo SUS.
Bacha sugere ainda uma abertura radical da economia. Na sua visão, a tarifa máxima de importação seria de 10% e deve ser também suspensa a exigência de conteúdo nacional nos financiamentos do BNDES e nas compras da governamentais, como da Petrobras.
Gustavo Franco, que foi presidente do Banco Central no governo FHC e responsável por uma política cambial no mínimo polêmica, sugere a flexibilização dos direitos trabalhistas. A primeira ideia é a eliminação do FGTS. Em vez da aplicação compulsória desses recursos no FGTS, que rende apenas 3% ao ano, o trabalhador poderia aplicar diretamente em fundos DI. Assim, segundo Franco, a poupança dos trabalhadores deixaria de abastecer o BNDES, que, segundo ele, financia setores com baixíssima contribuição para o crescimento da economia.
Franco propõe ainda o enterro da CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho. “Os contratos de trabalho passam a ser de natureza civil e inteiramente negociáveis entre as partes – com exceção dos casos em que o salário do trabalhador estiver na faixa da isenção do imposto de renda”, diz ele. No entanto, hoje, poucos veriam razões para mexer com esse tema no governo e na sociedade, uma vez que o desemprego é o menor em dez anos e há também um processo de formalização das relações de trabalho.
Veio, porém, de Armínio Fraga, também ex-presidente do Banco Central na era FHC, a sugestão mais inusitada. “Toda mãe terá direito a votar em cada eleição tantas vezes quantos forem seus filhos menores de 16 anos”, afirma. Ou seja: uma mãe com 10 filhos menores teria 10 votos. Segundo ele, as mães pensam mais no futuro e nas próximas gerações do que os outros indivíduos. Mas será que isso vale para mães sem planejamento familiar?
Se várias dessas reformas fossem implementadas, o Brasil voaria rápido como um guepardo, sugere a revista Veja. “Soluções existem. Basta usá-las”, diz o título da reportagem. Será mesmo?
A revista propôs a diversos especialistas, em geral tucanos, soluções para tornar a economia brasileira mais dinâmica. Edmar Bacha, por exemplo, propõe a redução de gastos sociais e o fim da exigência de conteúdo nacional nas encomendas da Petrobras. Gustavo Franco quer acabar com o FGTS. Armínio Fraga, por sua vez, sugere que mulheres com mais filhos tenham mais votos. Será que funcionaria?
A revista Veja deste fim de semana, no entanto, expressa certa nostalgia do passado. E decidiu ouvir especialistas (em geral, tucanos) para que a economia brasileira cresça de forma mais acelerada. Ou, na imagem usada pelo diretor Eurípedes Alcântara, para que seja ágil como um guepardo – o animal mais rápido da fauna terrestre.
As sugestões, apresentadas como milagrosas por Veja, são um tanto polêmicas.
Edmar Bacha, por exemplo, propõe a redução do gasto público. Segundo ele, o Brasil gasta 20% do PIB com despesas classificadas como sociais, mas os 11% da previdência seriam suficientes. “Toda atividade governamental terá de provar ter o custo menor que o benefício social proporcionado”, diz ele. Bacha sugere ainda que, na saúde, luxo e tratamentos complexos sejam obtidos por meio de seguradoras privadas – detalhe: o Ministério da Saúde acaba de ampliar a lista de procedimentos oncológicos pagos pelo SUS.
Bacha sugere ainda uma abertura radical da economia. Na sua visão, a tarifa máxima de importação seria de 10% e deve ser também suspensa a exigência de conteúdo nacional nos financiamentos do BNDES e nas compras da governamentais, como da Petrobras.
Gustavo Franco, que foi presidente do Banco Central no governo FHC e responsável por uma política cambial no mínimo polêmica, sugere a flexibilização dos direitos trabalhistas. A primeira ideia é a eliminação do FGTS. Em vez da aplicação compulsória desses recursos no FGTS, que rende apenas 3% ao ano, o trabalhador poderia aplicar diretamente em fundos DI. Assim, segundo Franco, a poupança dos trabalhadores deixaria de abastecer o BNDES, que, segundo ele, financia setores com baixíssima contribuição para o crescimento da economia.
Franco propõe ainda o enterro da CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho. “Os contratos de trabalho passam a ser de natureza civil e inteiramente negociáveis entre as partes – com exceção dos casos em que o salário do trabalhador estiver na faixa da isenção do imposto de renda”, diz ele. No entanto, hoje, poucos veriam razões para mexer com esse tema no governo e na sociedade, uma vez que o desemprego é o menor em dez anos e há também um processo de formalização das relações de trabalho.
Veio, porém, de Armínio Fraga, também ex-presidente do Banco Central na era FHC, a sugestão mais inusitada. “Toda mãe terá direito a votar em cada eleição tantas vezes quantos forem seus filhos menores de 16 anos”, afirma. Ou seja: uma mãe com 10 filhos menores teria 10 votos. Segundo ele, as mães pensam mais no futuro e nas próximas gerações do que os outros indivíduos. Mas será que isso vale para mães sem planejamento familiar?
Se várias dessas reformas fossem implementadas, o Brasil voaria rápido como um guepardo, sugere a revista Veja. “Soluções existem. Basta usá-las”, diz o título da reportagem. Será mesmo?
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