PÚBLICO

MARISA SOARES e RITA SIZA 16/04/2013 - 08:45 (actualizado às 10:13)
O FBI admite estar à procura de ligações terroristas às explosões de segunda-feira. Foram usadas bombas artesanais, carregadas de estilhaços de metal, que obrigaram a muitas amputações. Um dos três mortos era um rapaz de oito anos. Boston reforçou a segurança, mas a cidade vai manter-se aberta. Barack Obama prometeu encontrar e punir os responsáveis.

Boylston Street ficou com escombros espalhados na zona de impacto JESSICA RINALDI/REUTERS

Depois de socorrer as vítimas, a polícia norte-americana procura agora os responsáveis pelas duas explosões junto à linha da meta da maratona de Boston, que na segunda-feira provocaram três mortos e pelo menos 144 feridos . O FBI admite estar à procura de ligações terroristas.

“É uma investigação criminal que é uma investigação a um potencial acto terrorista”, afirmou Richard DesLauriers, agente especial do FBI, a polícia federal norte-americana, citado pela Reuters. A segurança será reforçada em Boston durante o dia, mas a cidade vai estar “aberta” e a “funcionar”, garantiu o governador do Massachusetts, Deval Patrick. No entanto, a área envolvente ao local das explosões permanecerá vedada, “provavelmente durante vários dias”.

As explosões, que ocorreram quase em simultâneo às 14h50 locais (20h em Lisboa), foram provocadas por “engenhos poderosos”, segundo a polícia. As explosões estão a ser consideradas o pior ataque à bomba em solo americano desde os sucedidos com aviões a 11 de Setembro de 2001.

Bombas artesanais com estilhaços de metal
À Reuters uma fonte relacionada com a investigação que preferiu manter-se no anonimato, explicou que os artefactos que explodiram eram compostos por pólvora e estavam cheios de rolamentos e estilhaços de metal. Esta combinação, sobretudo o concentrado de estilhaços, maximiza o efeito devastador da explosão.

Ao explodir o artefacto, que segundo a fonte da Reuters, era rudimentar e de fabrico caseiro, os fragmentos saem disparados à altura das extremidades o que justifica o número de amputações a que muitas das vítimas tiveram de ser sujeitas nos hospitais de Boston.

Os fragmentos de metal nas bombas saem disparados à altura das extremidades o que justifica o número de amputações.

Uma fonte oficial da Casa Branca citada pela Reuters disse também que o caso será tratado como um “acto de terrorismo” mas sublinhou que é preciso apurar se o ataque veio do exterior ou se foi “doméstico”.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu na segunda-feira que a polícia vai encontrar e punir os responsáveis.

Segundo a Associated Press, mais de 1000 agentes antiterrorismo foram mobilizados para apoiar a investigação, além de milhares de outros agentes patrulha. O nível de alerta em Nova Iorque foi reforçado e locais muito movimentados como Times Square, o Rockefeller Center e a Catedral de St. Patrick na região central de Manhattan, o edifício das Nações Unidas e o World Trade Center, estão a ser especialmente vigiados.

Outras grandes cidades americanas continuarão sob “alerta elevado”, e as polícias das regiões metropolitanas de Nova Iorque, Los Angeles, Las Vegas, Detroit e Atlanta indicaram que o risco de ameaça à segurança foi revisto para o nível máximo. Unidades de contraterrorismo foram enviadas para testar a segurança dos edifícios governamentais, recintos desportivos, aeroportos e outros entrepostos de transportes públicos e também das atracções turísticas do país.

Alerta na Europa
Do outro lado do Atlântico também soou o alarme. Em Londres, onde se vai realizar no domingo uma maratona – a segunda mais importante do mundo a seguir à de Nova Iorque – a polícia está em alerta e o dispositivo foi reforçado após o ataque de Boston.

A segurança será reforçada em Boston durante o dia, mas a cidade vai estar “aberta” e a “funcionar”.

Em Paris, o ministro do Interior, Manuel Valls, anunciou em comunicado que ordenou às forças de segurança um “reforço da presença de patrulhas” e apelou aos cidadãos que estejam vigilantes e denunciem qualquer acto suspeito, ou sacos abandonados em locais públicos, mas “sem ceder ao pânico”, escreve o jornal francês Le Monde.

A partir de Moscovo, o Presidente russo, Vladimir Putin, condenou o que classificou como "um crime bárbaro". Manifestou ainda disponibilidade para apoiar as investigações dos EUA.

Em Boston, nesta terça-feira, alguns feridos nas explosões continuam a lutar pela vida. Muitos foram amputados, sobretudo nas pernas. “Vemos muitos ferimentos causados por estilhaços”, descreveu Peter Fagenholz, cirurgião de traumas no Hospital Geral de Massachusetts, aos jornalistas, na segunda-feira. “Alguns doentes vão ter de repetir as operações amanhã [terça-feira] e nos próximos dias”, acrescentou.

Entre os três mortos está um menino de oito anos. Segundo aquele cirurgião, os casos mais graves – nove deles são crianças – chegaram ao hospital nos 15 minutos após as explosões.

Um detido e buscas aleatórias
A população de Boston foi avisada de que nos próximos dias estarão em vigor buscas aleatórias a carteiras, mochilas e malas, e também a pacotes e encomendas. “Ainda não podemos falar de normalidade. Sabemos que vai haver inconveniências, mas as medidas tomadas são para garantir a protecção e segurança da população”, explicou o governador.

“No regresso ao trabalho será notório o aumento do policiamento”, confirmou o mayor de Boston Thomas Menino, que pediu à população para não se alarmar com a presença de soldados na rua e para colaborar com as autoridades.

A cidade está a ser patrulhada por membros da Guarda Nacional, equipas de ramos especializados da polícia e um largo contingente de agentes – todas as folgas foram canceladas e os efectivos estão todos na rua.

As autoridades ordenaram a evacuação de um perímetro de mais de 1,5 quilómetros e três quarteirões em torno da zona da explosão. Os residentes não serão autorizados a regressar a casa enquanto decorrer a recolha de material forense no local e todos os trabalhadores em edifícios localizados nessa área foram avisados a permanecer em casa.

O trânsito foi fortemente restringido e muitas artérias foram encerradas. Alguns campus universitários no centro de Boston informaram os alunos de que as aulas seriam suspensas hoje, e vários estabelecimentos comerciais confirmaram que permaneceriam fechados.

A polícia revistou um apartamento em Revere, um subúrbio a Nordeste de Boston, numa acção ligada à “investigação das explosões de segunda-feira”. Segundo a estação local WBZ-TV, a busca envolveu agentes do FBI, do departamento de Segurança Nacional e dos serviços de Alfândega e Imigração. Os agentes recolheram vários sacos de provas, mas recusaram fornecer qualquer informação à imprensa.

Uma outra estação local filiada na Fox News disse que a polícia deteve um indivíduo considerado “pessoa de interesse” para a investigação e que se encontrava na proximidade das instalações improvisadas pela polícia estadual junto ao local das explosões.

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