Contexto Livre


Como sempre, ele arruma um pretexto para reintroduzir, em suas falas, o nome de seu avô, Tancredo Neves, na prosa política. Não se sabe aqui se seu ghost writer gosta de lhe massagear o ego ou se ele acredita mesmo que citar Tancredo Neves pode reacender alguma chama simbólica para suas pretensões eleitorais.Como um náufrago que resolve nadar aleatoriamente e se afasta cada vez mais da terra firme, Aécio Neves assina seu texto segundeiro, usando as mortes de Civita (Abril/Veja) e Mesquita (Estadão) para mostrar sua intimidade ideológica com os barões da mídia e falar de liberdade de imprensa.
E o que é pior, ao falar do avô, que o “informara” sobre os meios que o Estadão usava para denunciar a censura, isso só revela o quão alienado era o neto de Tancredo: qualquer jovem, minimamente engajado, sabia disso. Mas, como dissemos, lembrar o nome de Tancredo Neves para ele é essencial: fortalece seu currículo pobre, ainda que a velha raposa mineira seja apenas uma pálida referência na paisagem política.
Temos duas coisas positivas aí: ao se referir a Mesquita, ele não blefou com uma suposta “intimidade” política e pessoal, como o fez em relação a Civita. E não poderia fazê-lo. Todos sabemos que o velho Ruy Mesquita não tinha apreço nem pelo avô, nem pelo neto. Seja por razões políticas, seja, no caso do playboy, por sua conduta pessoal. Em segundo lugar, Aécio Neves se referiu ao regime dos militares como “Ditadura Militar” e não como “revolução de 64”. Aos poucos ele vai aprendendo.
Quanto a Civita, seu elogio é uma tentativa de sobrevivência num mar revolto. É o uso vergonhoso de um cadáver, sem qualquer escrúpulo e sustentação na realidade. Basta ver no link a seguir:
São postagens insuspeitas da coluna de Reinaldo Azevedo. Todas desqualificando o senador tucano. A primeira delas fala de seu “exército” virtual na internet, criando militantes fictícios, pagos regiamente, sabe-se lá por quem, já que o PSDB não assume tais despesas. Outras, o mostram como um comandante de uma nau sem rumo, em meio a uma tempestade pouco programática. A revista exige de Aécio que ele assuma – explicitamente – a agenda neoliberal: supressão de direitos trabalhistas e sociais, recessão, desemprego e demissão de servidores públicos etc. Ele reluta por razões óbvias: isso seria suicídio político!
Paradoxo da Veja ao atacá-lo? Não. O senador Aécio só serve à revista da Abril se ele coesionar o exército oposicionista para derrotar o PT e aliados. E isso ele já demonstrou que não é capaz. Acompanhem cada post do link acima e verão o desapreço que a citada revista tem por ele. Para ser desprezado pela Veja, ou você é de esquerda, o que Aécio não é, ou você não “ajuda”. O blogueiro da direita, Reinaldo Azevedo, é claro: sob a liderança de Aécio, o “PSDB está firme como um pudim”. Além do mais, quem privava, de fato, da intimidade de Civita era José Serra, e não Aécio Neves. Aécio blefa quando diz que “jantava” com Civita frequentemente. Percebendo a aproximação da revista com Eduardo Campos, ele tenta esse tipo de manobra.
Finalmente, sobre a liberdade de imprensa e a luta contra a censura nos tempos de regime militar. Passemos aqui a palavra ao deputado Sávio Souza Cruz, do PMDB-MG: “A Ditadura calava a imprensa com a força das metralhadoras e dos canhões. Aécio e sua primeira irmã calam a imprensa em Minas Gerais comprando seu silêncio.”
Ou seja, ele usa os funerais de Mesquita e Civita, fala de censura, sugere identidade com os barões da mídia (para seduzir seus sucessores) e caminha trôpego à procura de um mote para sua campanha. Ou melhor, no meio do oceano revolto, com a nau emborcada, ela nada rumo a Paris.
No Minas Sem Censura
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