TIJOLAÇO


A pesquisa divulgada pela CNI mostrando que a confiança do consumidor caiu a níveis baixos como os da crise de 2008 – embora ainda se situem no campo positivo -revela como a crise política se sobrepõe aos fatos reais da economia e gera um efeito auto-alimentador para o desempenho do país.

Segundo a pesquisa, o ”resultado (deveu-se), especialmente, do aumento da preocupação dos brasileiros com o desemprego e com a inflação”.

E os fatos?

O desemprego continua estabilizado nos níveis mais baixos de nossa história, segundo o IBGE.

A inflação, depois de um pique no custo dos alimentos no início do ano, arrefeceu e, em dá sinais de queda.

Então, o que está criando esta percepção que leva as pessoas a perderem a confiança na estabilidade econômica?

Claro que, em primeiro lugar, o catastrofismo da mídia brasileira, que – do alto da sabedoria de quem apoiou os regimes mais danosos para a economia brasileira – não cansa de falar no “esgotamento” do “modelo de consumo”, exatamente aquele que incluiu quase 40 milhões de pessoas na classe média.

Mas não é o único fator, é verdade.

Há poucas dúvidas que foi a inesperada decisão do Banco Central de aumentar a taxa pública, num ritmo mais elevado do que a própria – e eterna – sede do rentismo exigia. E, claro, a exigência por juros altos é também a exigência de que haja com que pagá-los, daí a pressão por superávits fiscais que garantam que a maior parte dos recursos públicos tenha este fim, e não os serviços à população e o financiamento de programas de inclusão social.

Agora, os dois fatores de erosão da confiança pública na condução econômica do país ganham a companhia de um terceiro: a evidente crise política que atravessamos.

Há três semanas o pais assiste manifestações de insatisfação que deixam a todos inseguros.

A economia não é um fenômeno físico, com leis naturais e imutáveis, mas uma expressão da atividade social e, portanto, das relações políticas desta sociedade.

A urgência de que o Governo apresente as propostas concretas – não apenas para o plebiscito de reforma política, mas também para as expectativas de políticas sociais que a população deseja – é também uma urgência econômica.

O banqueiro americano J. P. Morgan proclamou uma frase que ficou famosa, dizendo que , em economia, quando há uma crença generalizada de que alguma coisa vai acontecer, isto – estranhamente – acontece.

Resolver a crise política, recuperando o comando do processo de realização dos anseios da população que os dez últimos anos assistiram no Brasil é, também, parte da recuperação de nossa vitalidade econômica.


Por: Fernando Brito

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads