Quem Tem Medo da Democracia
Assista a um vídeo com um pouco da passeata:
Neste belo 19 de Julho, a rua Irineu Marinho virou rua Leonel Brizola. E olha Brizola na parede acompanhando tudo. Foto: Ana Helena Tavares.
Por Ana Helena Tavares, editora doQuem tem medo da democracia?
Uma passeata lúdica ocorreu nesta sexta-feira, 19 de Julho de 2013, no centro do Rio de Janeiro, saindo das proximidades da Av. Presidente Vargas em direção à Rua Irineu Marinho. O objetivo era trocá-la simbolicamente por Rua Leonel Brizola.
Ao som de uma banda, cujos componentes traziam na camisa inscrições como “O petróleo tem que ser nosso” e “Privatizar faz mal ao Brasil”, um grupo de no máximo 100 pessoas, porém com muita convicção do que fazia ali, se concentrou em frente ao prédio “balança, mas não cai”.
Um nome apropriado para os que queriam homenagear alguém que tanta gente tentou derrubar, mas que a História não permitiu cair. Tanto é que, apesar de ter sido mobilizado um número absurdo de PMs, o coronel garantiu que abriria alas para os manifestantes em respeito a Leonel Brizola. E abriu.
Ele não falou, mas provavelmente era um jovem sargento quando o Comandante Geral da PM do RJ era o Coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira. O homem que, colocado no cargo por Brizola, sonhou com uma polícia cidadã. Muito diferente dessa que vemos hoje nas favelas
O Globo liberou seus funcionários 3 horas antes. Será que ficaram com medo que algum jornalista platinado descesse do prédio para se juntar aos mortais, como o operário que sai da obra ao descobrir que, para o sistema, ele não vale mais que um prego?
E por que não havia lá os jovens, de movimentos internacionais, que se dizem anticapitalistas? Será que não sabem o quanto Brizola lutou contra o império (dos EUA e da mídia)? Ou será que, quem esconde o rosto, não é capaz de render homenagem a quem defendeu a legalidade?
O grupo presente lá não foi chamado às ruas pelo Partido Democrático Trabalhista, que o “velho caudilho” fundou depois de chorar pelas outras três letras perdidas. Não foi organizado por ninguém que tenha conhecido o “velho Briza”. Mas juntaram-se aos organizadores muitos que o conheceram. Principalmente, os que hoje combatem Carlos Lupi e formam, dentro do PDT, o Movimento de Resistência Leonel Brizola.
Nunca a rua Irineu Marinho viu tanta gente com lenços vermelhos. Os maragatos dominaram a área e determinaram: agora é rua Leonel Brizola. Foto: Ana Helena Tavares.
Brizola nasceu Itagiba, mas ainda novo adotou o nome de um líder da revolução de 1923, ocorrida no RS, o maragato Leonel Rocha. Lenços vermelhos eram a marca registrada dos maragatos e foi com eles no pescoço que muitos dos manifestantes participaram do ato.
Após a colocação de adesivos onde se lia Rua Leonel Brizola por cima das placas antigas, houve a dramatização, em frente ao jornal O Globo, da carta de direito de resposta de Brizola à Globo, lida em 93 por Cid Moreira no Jornal Nacional e considerada um marco na luta por uma mídia democrática.
Convocado pelo Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé, que levanta a bandeira da democratização das comunicações, o evento colheu assinaturas para uma lei de iniciativa popular que regulamente o que a Constituição de 88 já diz, mas que não é cumprido: monopólio não!
Mesmo para quem estava lá, como tive a honra de estar, hoje ainda não é possível descrever com precisão a grandeza do que ocorreu ontem. Mas, assim como a História reservou a Brizola a continência da polícia militar, também reservará frutos a quem acredita que outra comunicação é possível.
Assista a um vídeo com o momento em que uma das placas foi trocada:
Assista a um vídeo com um pouco da passeata:
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