Fim de 2013, o início do ano eleitoral está aí chegando, a temporada de definição de candidaturas para fechar coligações se esgotando, e o eterno candidato a presidente da República José Serra (PSDB-SP) ficando amargurado e impaciente com o tucanato tratá-lo como cachorro perdido jogado de caminhão de mudança, enquanto a candidatura do rival Aécio Neves (PSDB-MG) se consolida dentro do partido, mesmo que seja para perder. Afinal a maioria do tucanato acredita que, se for para perder com um ou com outro, Aécio, pelo menos na imagem, tiraria um pouco do ranço e estigma impregnado no PSDB com a campanha de baixarias fascistóides na eleição passada.
Com esse quadro, José Serra (PSDB-SP) publicou no jornal Folha de São Paulo, neste domingo (15), um artigo sob o título "Drogas pesadas no Brasil: inépcia e ideologia". Apesar do texto de Serra atacar o governo federal e os países vizinhos, tem um teor político venenoso, com jeito de "fogo amigo", no momento em que o helicóptero da família de um senador mineiro aliado de Aécio foi apreendido com meia tonelada de cocaína. O artigo chega a ser lido nos meios políticos como se fosse um recado, a versão 2013 do artigo "Pó pará, governador", publicado em fevereiro de 2009. (Não me peçam explicações sobre estas e outras insinuações, porque só os tucanos que as espalham e desfrutam da intimidade do ninho tucano podem explicá-las).
Desde 2009, aecistas reclamavam de arapongas ligados a Serra espionarem a vida baladeira de Aécio para abatê-lo com um dossiê de denúncias sobre sua suposta vida desregrada. No jornal Estadão, o falecido colunista Mauro Chaves escreveu um artigo, criticando o então governador Aécio, que entrou para o folclore político nacional sob o título nada sutil de "Pó pará, governador?". Mineiros ligados a Aécio sentiram o golpe baixo. O troco viria com o jornal "O Estado de Minas" promovendo uma reportagem sobre pessoas íntimas de José Serra movimentando fortunas milionárias em paraísos fiscais, história narrada com detalhes e documentos no livro reportagem "A privataria tucana". Essa guerra teve um cessar-fogo desde 2010, quando Aécio desistiu da candidatura presidencial, cedendo a vez para Serra naquela eleição.
Agora, este artigo deste domingo desperta desconfianças suficientes para fazer disparar o alarme anti-bombas no tucanato mineiro. Seria a possível deflagração da costumeira guerra de dossiês dentro do ninho tucano que ronda as disputas internas desde 2002.
Os Amigos do Presidente Lula

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