Meca do luxo, o shopping JK, do empresário Carlos Jereissati, obteve liminar judicial para impedir que menores desacompanhados entrassem no local, onde há lojas de grifes como Prada, Gucci e Loboutin; donos do empreendimento temiam que houvesse um "rolezinho", ato de afirmação que tem sido convocado por jovens da periferia para valorizar sua própria identidade e derrubar o preconceito; no caso do JK, a Justiça agiu de forma correta ou contribuiu para avalizar o apartheid brasileiro?
SP 247 - Uma decisão judicial permitiu ao shopping JK, do empresário Carlos Jereissati, criar seu próprio apartheid. Diante do temor de que o local, nova Meca do luxo no Brasil, fosse ocupado por jovens da periferia, que planejavam realizar um "rolezinho" neste sábado, o empreendimento obteve uma liminar que proibiu a entrada de adolescentes desacompanhados.
Manifestação criada recentemente, o "rolezinho" é um ato de afirmação pacífica realizado por jovens da periferia, que entram onde, em tese, não são bem-vindos – algo como "nós vamos invadir sua praia". Nesses protestos, eles dançam funk, "zoam" e depois partem. O "rolezinho" deste sábado no JK vinha sendo convocado pelo Facebook – o que disparou o alerta na administração do shopping, onde desfilam grifes como Gucci, Prada, Dolce & Gabbana e Christian Loboutin.
Mais do que simplesmente impedir a entrada de adolescentes, a decisão judicial também garantiu ao shopping o direito de cobrar uma multa de R$ 10 mil de todos aqueles que causassem algum tipo de tumulto no local – o que daria margem a avaliações subjetivas. Afinal, dançar funk é causar tumulto ou não?
Desde o início de dezembro, seis shoppings foram alvo de "rolezinhos". Mas nenhum deles simbolizava o luxo como o JK, do empresário Carlos Jereissati, que é também um dos donos da Oi e irmão do ex-senador Tasso Jereissati.
Recentemente, o escritor Marcus Faustini, autor do "Guia afetivo da periferia", publicou um artigo em defesa dos rolezinhos. "Precisamos escutar e não prender aleatoriamente, por medo ou presumindo que haverá roubo", diz ele. Segundo Faustini, a punição deveria existir não para quem realiza esse tipo de manifestação, mas para quem as reprime. "É preciso responsabilizar quem reprime com violência, com constrangimento, por preconceito etc. Do Estado à segurança privada. Precisamos estar prontos para uma democracia mais ampla, onde os pobres e os ex-pobres não querem ficar invisíveis" (leia aqui a íntegra do seu artigo).
Brasil 24/7

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;