A entrega do troféu de melhores funcionários do ano da TV Globo, transmitida pelo Programa do Faustão, é pródiga em constrangimentos. Mas desta vez serviu para registrar de forma definitiva a morte da música popular brasileira. Amém.

A emissora mostrou a que ponto chegamos, em muito graças a ela mesma: as três composições concorrentes a melhor do ano foram: Piradinha (Gabriel Valim), Show das Poderosas (Anitta) e Tudo o que Você Quiser (Luan Santana). Chocante, não? Terra arrasada.

anitta Programa do Faustão decreta o fim da MPB

É o caso de perguntar: Fechamos o caixão ou antes devemos vomitar em cima do cadáver? Não é possível que no espaço de doze meses nada de menos indigno tenha sido veiculado. Não é preconceito, juro. Eu apenas fiquei em estado de choque.

Tem lugar pra todo mundo. Pois é exatamente o contrário que está acontecendo. A mediocridade, a vulgaridade e o mau gosto ocuparam todas as faixas, canais e sintonias. O que foge disso não está sendo produzido ou não está sendo veiculado. Acabou a diversidade. Eles venceram.

Nós já tivemos, entre tantas belezas musicais, bossa nova, tropicália, jovem guarda, samba, chorinho, rock nacional e mangue beat, além do brega de raiz e do sertanejo sem escolaridade. Tudo coisa fina, cada um na sua, para todos os gostos. Quem assistiu àBuzina do Chacrinha, ao Clube do Bolinha ou, das catacumbas, ao Programa Flavio Cavalcanti, sabe do que estou falando. Nosso País já fui culturalmente brilhante e inteligente.

Chegar a uma final (mesmo que seja no festival de autopromoção da Globo) com exemplares musicais tão medíocres e desnutridos é lamentável, triste, desolador. Não há como superar um trauma desses.

Ao menos, vivi o suficiente para ver Anitta vestida.


O Provocador – R7




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