Fotografia © Reuters

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, declarou esta segunda-feira que a Rússia rejeita o princípio do facto consumado que os ocidentais querem impor sobre a Ucrânia e vai apresentar propostas próprias para solucionar a crise.

"Nós preparámos (...) as nossas próprias propostas. Elas visam repor a situação no âmbito do direito internacional, tendo em conta os interesses de todos os ucranianos, sem exceção", declarou Lavrov, que se iria reunir com o Presidente, Vladimir Putin, citado pela agência russa Itar-Tass.

Indicando que as propostas transmitidas pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, não tinham satisfeito Moscovo, o chefe da diplomacia russa afastou a ideia da criação de um grupo de contacto, a que tinham instado a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente norte-americano, Barack Obama.

"[Nas propostas enviadas a Moscovo,] encontrámos uma conceção que não parece convir-nos verdadeiramente, porque tudo quanto aí está formulado vai no sentido de um pretenso conflito entre a Rússia e a Ucrânia e, desse modo, do reconhecimento do facto consumado", sustentou Lavrov, segundo a Itar-Tass.

"Os nossos parceiros propunham que trabalhássemos a partir desta situação, criada por um golpe de Estado", acrescentou.

Até agora, a Rússia recusou-se categoricamente a reconhecer qualquer legitimidade aos novos dirigentes pró-ocidentais da Ucrânia, que ascenderam ao poder após três meses de manifestações que levaram à deposição e fuga do Presidente Viktor Ianukovich e fizeram uma centena de mortos em fevereiro.

O Kremlin sublinhou ainda que considera Ianukovich o Presidente legítimo da Ucrânia, remetendo os ocidentais para os termos de um acordo assinado a 21 de fevereiro em Kiev, que fornecia uma saída para a crise negociada com um Governo provisório e a realização de novas eleições.

Por seu lado, o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos e pela Alemanha, tem apelado nos últimos dias ao Presidente russo para que aceite a criação de um grupo de contacto para solucionar a crise ucraniana.

A Presidência norte-americana precisou na sexta-feira que se trata "de um grupo de contacto que conduzirá o diálogo entre a Ucrânia e a Rússia para que haja uma inversão da escalada de violência e para que seja restaurada a integridade territorial da Ucrânia".

O Ocidente acusou a Rússia de um golpe de força na Crimeia, península separatista pró-russa do sul da Ucrânia que deverá votar no domingo num referendo sobre a sua reanexação à Rússia e cujo controlo escapa, neste momento, às novas autoridades de Kiev.




DN



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