Conversa telefônica de Yulia Tymoshenko vazou na internet e foi postada no Youtube; ela alega edição em trecho

Para a ex-primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Tymoshenko, os ucranianos devem “pegar as armas e matar os malditos russos, junto com o líder deles” para resolver a crise entre os dois países. Pelo menos, foi o que ela disse em uma conversa telefônica divulgada na internet nesta segunda-feira (24/03).

O telefonema a Nestor Shufrych, antigo vice-secretário do Conselho de Defesa e Segurança Nacional da Ucrânia, teria ocorrido no dia 18 de março, horas após o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter assinado o tratado de anexação da Crimeia. A ligação vazou na internet e foi postada no Youtube pelo usuário Sergiy Vechirko.

No Twitter, Tymoshenko assumiu confirmou a autenticidade do telefonema, mas afirmou que o final da conversa, quando ela teria dito que os oito milhões de russos na Ucrânia deveriam ser mortos com armas nucleares, foi editado.


“A conversa aconteceu, mas a parte dos ‘oito milhões de russos na Ucrânia foi editada. Na verdade, eu disse que os russos na Ucrânia são ucranianos. Olá, FSB :) desculpem pela linguagem obscena”, escreveu, citando a agência russa de informações que substituiu a KGB soviética. Tymoshenko não especificou quem, na verdade, ela queria atingir com armas nucleares.

A assessoria de imprensa de Shufrych, por sua vez, alegou que a gravação é falsa. No comunicado à mídia, os assessores dizem que “a conversa não ocorreu”, contradizendo Tymoshenko.

Na gravação, Shufrych se diz “simplesmente chocado” com a anexação da Crimeia, enquanto Tymoshenko parece enfurecida. “Eu me arrependo de não poder estar aí agora e não estar no comando dessa situação. De jeito nenhum eles conseguiriam pegar a Crimeia”, diz. Shufrych concorda com ela e diz que, se ela estivesse lá, isso nunca teria acontecido. “Eu teria achado um jeito de matá-los”, a ex-primeira-ministra afirma.

Wikicommons

Yulia Tymoshenko ficou presa durante dois anos e meio no governo do ex-presidente Viktor Yanukovich. Ela foi libertada em fevereiro

Além disso, a política diz que espera fazer todos os seus contatos se envolverem na questão. “E eu vou usar todos os meus meios para fazer o mundo inteiro se levantar, de modo que não vai sobrar nem um campo queimado na Rússia”, promete.

Tymoshenko, que foi libertada da prisão depois da queda do ex-presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro deste ano, ficou detida por dois anos e meio, acusada de abuso de poder enquanto ainda era primeira-ministra. Importante figura da oposição, em seus dois mandatos no governo ela se esforçou para estreitar os laços com a União Europeia, mas começou a ter problemas quando Yanukovich se tornou presidente e iniciou uma gestão pró-Moscou.


Opera Mundi




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