Por Altamiro Borges

Com transmissão ao vivo por sete horas ininterruptas, o blog de Esmael Morais foi um dos primeiros a dar a péssima notícia ao tucano Beto Richa: “O senador Roberto Requião será candidato ao governo do Paraná. A decisão foi da convenção estadual do PMDB nesta sexta-feira (20) pelo placar de 350 votos. A coligação com o PSDB do governador Beto Richa foi derrotada por 250 votos. Pelo Twitter, Requião opinou: ‘Venceu a dignidade e as bases do PMDB’. O clima no Clube da Urca, em Curitiba, é de vitória do Brasil na Copa em disputa com a arquirrival Argentina”.

Este resultado representa um duro baque aos tucanos – que perdem preciosos minutos no programa eleitoral de rádio e tevê e agora já dão como inevitável a realização do segundo turno no estado. O próprio Esmael Morais já havia alertado, antes da convenção, para os desdobramentos possíveis da convenção peemedebista. “A convenção do PMDB é o principal evento político dos últimos três anos e meio no Paraná. Se passar a candidatura própria do senador Roberto Requião, adeus reeleição do tucano Beto Richa. Se der a coligação com o PSDB, adeus Gleisi Hoffmann (PT). Ou seja, com a vitória da coligação aumentaria as chances de Richa fechar a corrida no primeiro turno”.

Leilão da florestas
Nos últimos meses, o governador Beto Richa vem sofrendo sucessivas derrotas. Ele adorava posar de “gestor eficiente”, que saneou as contas do estado e “modernizou” o Paraná. Mas era só demagogia. Em abril passado, o tucano foi obrigado a reconhecer o péssimo estado de saúde do seu governo. Numa medida inusitada, ele anunciou o leilão de 17 áreas de florestas no estado. O próprio Roberto Requião ingressou com liminar contra o leilão, questionando o desmatamento e o valor das vendas, mas o pedido foi estranhamente indeferido pela Justiça. Na ocasião, o senador peemedebista ironizou: “Seguramente o governo do Paraná quer vender as florestas para pagar o salário de comissionados”.

Até a Folha não teve como esconder o escândalo, mas evitou fazer maior escarcéu e rapidamente arquivou o caso. “Em meio a uma grave crise financeira, o governo do Paraná decidiu leiloar florestas que pertencem ao estado, numa medida que irritou as entidades ambientalistas locais. Serão vendidos 12 mil hectares, ao preço mínimo de R$ 100 milhões. Cerca de metade dessas terras é formada por áreas remanescentes de mata atlântica... ‘Esse patrimônio não pode ser entregue assim. Isso é improbidade administrativa, é crime. É desespero para fazer caixa de qualquer jeito’, diz o ambientalista Clóvis Borges, diretor da Sociedade de Proteção à Vida Selvagem”, informou, na ocasião, a repórter Estelita Carazai.

Atraso de obras e salários
A mesma jornalista já havia informado, em dezembro de 2013, que a crise no Paraná era gravíssima. “Sem dinheiro para pagar funcionários e fornecedores, o governo Beto Richa (PSDB) tem atrasado há pelo menos quatro meses pagamentos referentes a dezenas de obras e serviços. Construções de rodovias pararam ou desaceleraram. Veículos policiais esperam conserto em oficinas. Não há aumentos para servidores desde setembro. E até obras da Copa foram afetadas... A situação, considerada um ‘sufoco’ pelo próprio governo, é explorada pela oposição... Com metas estipuladas na campanha de 2010, o governo teme não conseguir cumprir o que prometeu”.

Além do caos nas finanças, do “choque de indigestão” tucano, Beto Richa também passou a ser denunciado por irregularidades administrativas. Em janeiro deste ano, o próprio governo confessou que fez saques indevidos de contas judiciais e foi obrigado a devolver R$ 365 mil ao Judiciário. A denúncia do saque irregular foi apresentada pela sessão paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Diante do escândalo, o tucano ainda tentou se justificar. “Não houve má-fé nem intenção de meter a mão num dinheiro que não é do governo. Se houve equívoco, há uma reserva que repara imediatamente essa situação”, afirmou Beto Richa, totalmente desmoralizado.
Altamiro Borges


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