Paulo Nogueira

Uma reportagem do Estadão em que supostos integrantes do Black Bloc aparecem prometendo ataques contra a Copa numa aliança com o PCC está chacoalhando a internet neste final de semana.
Minha opinião sobre isso remete a Wellington: quem acredita nisso acredita em tudo.
Posso, é claro, estar errado. Mas que sentido haveria em integrantes do movimento Black Bloc abrir para o Estadão uma intenção que só vai lhes criar problemas?
Um ladrão avisa a hora em que pretende entrar numa casa?
Mais: alguém teria dúvida sobre as consequências calamitosas para a imagem dos black blocs ao se aliar ao PCC?
Ora, estupidez tem limites.
O que me chama a atenção, fora o absurdo do fato em si, é a maneira como a informação do Estadão foi tomada como verdade absoluta na internet.
Vários outros sites reproduziram a reportagem do Estadão. Dos que vi, nenhum se deu ao trabalho de escrever, ao menos, que a parceria entre o Black Bloc e o PCC era um fato segundo o Estadão.
Internautas emitiram comentários exaltados e furiosos tomando a reportagem como um muçulmano encara um trecho do Corão. Parece que somos uma nação de crédulos, prontos a engolir qualquer coisa que nos seja atirada sem questionamentos.
A história do jornalismo está repleta de fabricações de personagens e histórias incríveis. Como o jornalista pode alegar proteção da fonte, a invenção de coisas é algo relativamente simples.
Um episódio célebre, descoberto há dez anos, foi protagonizado por um jovem repórter do NY Times, Jayson Blair. Durante anos, soube-se, Blair inventou fontes e fingiu estar em lugares em que nunca estivera.
Curiosamente, o autor da reportagem sobre os black blocs, Lourival Sant’Anna, já esteve envolvido numa polêmica sobre a veracidade de textos seus. O empresário Nelson Tanure o acusou de forjar informações numa série de reportagens sobre negociações em torno da Varig.
(O caso terminou na Justiça: Tanure foi condenado a pagar 50 mil reais a Sant’Anna por difamação.)
Repito: pode até ser verdade, mas para que acreditemos nisso precisamos de evidências que vão além da palavra do autor.
Pessoalmente, não consigo levar a reportagem a sério, sobretudo pela burrice desumana que um black bloc teria que carregar para abrir planos secretos para um jornalista de um veículo como o Estadão.
Sobre o Autor
Uma reportagem do Estadão em que supostos integrantes do Black Bloc aparecem prometendo ataques contra a Copa numa aliança com o PCC está chacoalhando a internet neste final de semana.
Minha opinião sobre isso remete a Wellington: quem acredita nisso acredita em tudo.
Posso, é claro, estar errado. Mas que sentido haveria em integrantes do movimento Black Bloc abrir para o Estadão uma intenção que só vai lhes criar problemas?
Um ladrão avisa a hora em que pretende entrar numa casa?
Mais: alguém teria dúvida sobre as consequências calamitosas para a imagem dos black blocs ao se aliar ao PCC?
Ora, estupidez tem limites.
O que me chama a atenção, fora o absurdo do fato em si, é a maneira como a informação do Estadão foi tomada como verdade absoluta na internet.
Vários outros sites reproduziram a reportagem do Estadão. Dos que vi, nenhum se deu ao trabalho de escrever, ao menos, que a parceria entre o Black Bloc e o PCC era um fato segundo o Estadão.
Internautas emitiram comentários exaltados e furiosos tomando a reportagem como um muçulmano encara um trecho do Corão. Parece que somos uma nação de crédulos, prontos a engolir qualquer coisa que nos seja atirada sem questionamentos.
A história do jornalismo está repleta de fabricações de personagens e histórias incríveis. Como o jornalista pode alegar proteção da fonte, a invenção de coisas é algo relativamente simples.
Um episódio célebre, descoberto há dez anos, foi protagonizado por um jovem repórter do NY Times, Jayson Blair. Durante anos, soube-se, Blair inventou fontes e fingiu estar em lugares em que nunca estivera.
Curiosamente, o autor da reportagem sobre os black blocs, Lourival Sant’Anna, já esteve envolvido numa polêmica sobre a veracidade de textos seus. O empresário Nelson Tanure o acusou de forjar informações numa série de reportagens sobre negociações em torno da Varig.
(O caso terminou na Justiça: Tanure foi condenado a pagar 50 mil reais a Sant’Anna por difamação.)
Repito: pode até ser verdade, mas para que acreditemos nisso precisamos de evidências que vão além da palavra do autor.
Pessoalmente, não consigo levar a reportagem a sério, sobretudo pela burrice desumana que um black bloc teria que carregar para abrir planos secretos para um jornalista de um veículo como o Estadão.
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;