Por Altamiro Borges
O jornal carioca “O Dia” informa neste domingo (14) que “a maior igreja evangélica do país, com 12,3 milhões de fiéis, já trocou de candidato de forma extraoficial e deve anunciar a mudança de posição em favor de Marina Silva nesta semana, quando os pastores da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB) se reunirão com o Pastor Everaldo (PSC), até então o presidenciável oficial”. Segundo o repórter Nonato Viegas, a adesão à candidata-carona do PSB já ocorre em vários templos da igreja, “onde os seus membros são orientados a votar na ex-senadora. Há até um bordão: ‘Irmão por irmão, vote em quem pode ganhar a eleição’. Assim como Everaldo, Marina é da Assembleia de Deus”.
Em entrevista ao jornal, o presidente do conselho, pastor Lelis Washington Marinhos, confirmou a decisão e ainda anunciou que, após as eleições, “a denominação dará início ao recolhimento de assinaturas para a criação de um novo partido, no qual possa abrigar congressistas da igreja ou que defendam seus princípios religiosos. Nesta legislatura, a Assembleia de Deus tem 26 deputados federais espalhados por vários partidos. A CGADB espera eleger, além dos atuais, mais oito candidatos para a Câmara. ‘Existe, sim, a ideia (de criação da legenda), onde poderemos alinhar nossos parlamentares e na qual eles possam defender nossas agendas com liberdade’, admite o pastor”.
Marina Silva, que já trocou de legenda quatro vezes – do PT para o PV, e da tentativa frustrada de criação da Rede para a carona no PSB –, terá assim mais uma opção partidária. Neste caso, com muito mais afinidades. No geral, Marina Silva defende os mesmos princípios da Assembleia de Deus – contra o direito ao aborto, a pesquisa em células-tronco, o casamento homossexual, entre outras ideias conservadoras. Já do ponto de vista político, as diferenças poderão ser contornadas. O pastor Everaldo, agora rifado pelos fiéis, ganhou os holofotes da mídia por suas posições de direita. De forma taxativa, quase cômica, ele defendeu o “estado mínimo” neoliberal, a independência do Banco Central e o tripé dos juros altos, austeridade fiscal e libertinagem cambial.
Também pregou a privatização da Petrobras. Marina Silva não chega a este extremo. No máximo, ela apenas deu um parágrafo do seu programa para a questão estratégica do pré-sal. Segundo o pastor Lelis Washington Marinhos, o novo partido terá algumas “agendas inegociáveis”, como a proibição do aborto e do casamento homossexual. “Não queremos colocar a igreja no poder. Queremos é que assumam o poder candidatos que creiam em Deus e que defendam nossos princípios”. Marina Silva concorda com estes princípios “inegociáveis”. E parece não se tratar de puro oportunismo eleitoreiro visando conquistar o voto dos 42,3 milhões de brasileiros que se declaram evangélicos no país. Parece!

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