Armínio Fraga e George Soros

Quando Aécio lançou o nome de Armínio Fraga como seu boss na economia num futuro governo, cometeu o erro que, tudo indica, custou-lhe a eleição. Não que Aécio não tenha cometido outros erros. Ou mesmo, como para alguns (eu, inclusive), o grande erro tenha sido a própria candidatura de Aécio, que só existe no marketing, ainda assim debaixo da censura imposta em Minas a peso de ouro.

Armínio Fraga é, para dizer o mínimo, um nome polêmico. Ligado ao megaespeculador George Soros, Armínio é acusado de práticas que, se viessem ao conhecimento do grande público, provocariam comoção nacional. Homem de mercado, é frio o suficiente para tomar a medida que for necessária para aumentar o ganho de seus sócios ou empregadores.

O livro More Money Than God: Hedge Funds and the Making of a New Elite" (Bloomsbury) narra uma dessas:


Como gestor do Fundo Soros para mercados emergentes, Armínio teria obtido informações privilegiadas que o levaram a planejar e executar o ataque especulativo contra a Tailândia, que gerou lucros estimados hoje em R$ 2,5 bilhões de reais para George Soros e ele mesmo.


Ter "informações privilegiadas" já seria crime, uma jogada desleal no mundo dos negtócios. Mais grave ainda é como essas informações foram obtidas [destaque em negrito são meus]:


A informação privilegiada que induziu o ataque especulativo foi obtida, porém, em entrevista de Armínio e outros dois economistas do Fundo Soros com alta autoridade do Banco Central Tailandês, que foi questionado por Armínio sobre a prioridade a ser conferida pelo banco: elevar taxa de juros para defender a moeda de um ataque especulativo ou reduzi-la para evitar o agravamento da situação dos bancos?

Segundo Mallaby (que entrevistou Armínio sobre a conversa),Armínio invocou sua própria experiência como diretor do Banco Central do Brasil (1991-1993) e pareceu, ao funcionário tailandês, “mais como um parceiro benigno de um mercado emergente do que como um ameaçador predador de Wall Street”.

O funcionário ingênuo respondeu que a prioridade de defender a moeda tailandesa com a mais elevada taxa de juros que fosse necessária poderia estar mudando, em vista da taxa de juros mais baixa requerida em vista dos problemas crescentes dos bancos. Fraga e seus colegas teriam visualizado uma maleta cheia de dinheiro caso especulassem com a moeda tailandesa, mas fingido não notar para não alertar o funcionário do Banco Central da Tailândia a propósito de sua ingenuidade. Se notasse, ele poderia elevar a taxa de juros para encarecer a especulação cambial ou mesmo recorrer a bloqueios administrativos contra especuladores estrangeiros.

Voltando a Nova Iorque, Armínio Fraga discutiu com o Fundo Soros sobre planejamento do ataque especulativo contra a moeda tailandesa. Um dos economistas que esteve na reunião com a autoridade inocente do Banco Central da Tailândia, Rodney Jones, questionou os outros dois sobre a moralidade de especular contra países em desenvolvimento: “se as moedas forem desvalorizadas sem controle, milhões de inocentes serão levados à pobreza desesperadora”.
Mallaby parece sugerir que Armínio Fraga e os outros não consideraram o argumento suficiente para abortar o ataque especulativo que rendeu 750 milhões de dólares.[Fonte: Carta Maior]


Como entregar a economia de um país, que, apesar de todo o esforço bem sucedido realizado pelos governos Lula e Dilma, ainda é um dos mais desiguais do mundo, nas mãos de uma elite predatória há 500 anos; como entregar essa economia nas mãos de um homem de mercado, que pensa e visa a maximização de lucros, não importa o que aconteça nem a quem?

Fato é que, ao anunciar Armínio Fraga como seu futuro ministro da Fazenda, Aécio acenou para o mercado e a mídia, esquecendo-se de que o Brasil é muitíssimo maior que eles.

Mais: que o Brasil não se esqueceu do que Armínio e o governo tucano de FHC fizeram de mal ao país. E os que se esqueceram, não sabiam ou eram muito jovens na época foram lembrados ou informados por blogs e redes sociais.

O resto é história, que as urnas vão contar neste domingo.

Blog do Mello

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