Claro que os comentaristas da imprensa vão dizer que o debate foi ruim para os dois candidatos, tamanha foi a troca de acusações entre Dilma e Aécio.

Mas ele teve um grave problema para Aécio Neves, agravado pelo horário em que foi ao ar, fora das maratonas madrugadoras dos encontros anteriores.

Foi o de colocar “na rua” os fatos que pouco ou nada estavam na boca do povo.

O nepotismo.

A propaganda oficial nas rádios de propriedade dele.

O sumiço do dinheiro da Saúde e da Educação em Minas.

A corrupção engavetada do tucanato.

E, claro, o aeroporto do titio, este já de maior conhecimento público.

Mesma situação do episódio da recusa de Aécio ao teste do bafômetro.

Além de tocar na acusação de Paulo Roberto Costa ao então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, ter levado algum para parar – como parou – a CPI da Petrobras em 2009, colocando o tema em pauta e impedindo que a mídia em geral “engavete” a reportagem da Folha.

Depois de um começo mais tenso, Dilma se soltou.

Politizou a falta d’água em São Paulo.

Ao ponto de um impagável “Aécio, isso é feio…”

Aécio estava visivelmente nervoso, até porque sabe, nos levantamentos que tem, que já estava em situação mais desvantajosa do que aquela que as pesquisas apontam.

Foi-lhe cobrado ser mais agressivo – inclusive publicamente por Ricardo Noblat, que escreveu um post em seu blog intitulado “Ou Aécio parte para cima de Dilma ou morrerá na praia” – e foi.

Mas talvez não contasse com que Dilma fosse também e repisasse o que saiu só lá pela meia-noite no debate da Band.

E Dilma foi muito mais dura.

E colhe daí um benefício extra-debate.

Incendiou seus apoiadores e mostrou-lhes que é hora de partir para cima, sem os punhos de renda que marcam boa parte da esquerda.

Pode ser que tenha sido, até, um pouco mais agressiva do que recomendariam as boas técnicas de marketing, mas como Aécio foi também, isso não é um prejuízo.

Porque até agora, a “guerra” era, na verdade, um massacre unilateral da aliança mídia-tucanato.

E já não é mais.


TIJOLAÇO

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