Jornal GGN - Em plena campanha para assumir a presidência da Câmara Federal no biênio 2015-2016, o líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha, será alvo de um inquérito a pedido do Ministério Público Federal por ligações com os esquemas de corrupção na Petrobras, investigados na Operação Lava Jato. Segundo investigadores da Polícia Federal, Cunha é citado como possível receptor de dinheiro sujo entregue a ele por uma das "mulas" utilizadas pelo doleiro Alberto Youssef. As informações são da Folha de S. Paulo desta quarta-feira (7).

O pedido de investigação contra Cunha, segundo apurou o jornal, será feito pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal (responsável pelos inquéritos de políticos com mandato) no início de fevereiro, no retorno dos trabalhos da suprema corte. A Folha ressaltou que há uma série de políticos envolvidos no escândalo, divididos em duas categorias: os que possuem fortes indícios de corrupção levantados na Lava Jato e os que apresentam suspeitas. Cunha estaria nesse segundo grupo.

Cunha, segundo a PF, teria recebido dinheiro do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", que também distribuia montantes a outros indicados pelo doleiro Youssef. Careca também teria se aproveitado da condição de agente federal para facilitar o embarque e desembarque de outros funcionários do doleiro em aeroportos. Ele chegou a ser preso na sétima fase da Lava Jato, mas foi solto dias depois. O juíz da operação na Justiça Federal do Paraná, Sérgio Moro, mantém Careca - que era lotado no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro - afastado dos trabalhos da corporação.

No início de outubro, o Estadão noticiou que Youssef se utilizava frequentemente de "quatro mulas" para transportar o dinheiro do esquema. Além de Careca, são eles: Rafael Ângulo Lopez (condenado na Operação Curaçao e investigado no Mensalão), Adarico Negromonte Filho (irmão do ex-ministro Mário Negromonte) e Carlos Rocha (doleiro ligado a outro grupo alvo da Lava Jato)."

Outro lado

Em sua conta oficial no Twitter, o deputado federal Eduardo Cunha tentou "desmentir qualquer veracidade ao publicado da Folha de S. Paulo". "Não admito me colocar no mesmo plano de suspeito como colocado pela reportagem pelo suposto fato que não ocorreu. Não conheço o cidadão citado, nunca o vi na vida, bem como não conheço o patrão dele, o tal doleiro. O depoimento não em acusa de nada", exclamou.

Cunha ainda alegou que foi informado de que no depoimento consta que o dinheiro teria sido entregue por Careca em um condomínio que não lhe pertence. O deputado afirmou que a denúncia e a reportagem são tentativas de constranger sua candidatura à presidência da Câmara.




Sem citar nomes, o peemedebista indicou que sua equipe foi alertada de que haveria uma "bomba" contra ele. Ele lamentou que a oposição à sua campanha pelo principal posto da Casa - que conta ainda com Arlindo Chinaglia (PT) e Julio Delgado (PSB) como concorrentes - tenha lançado mão de acusações desse nível para prejudicá-lo.






GGN

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