Do Democratize
Cenas de horror na ‘Batalha da PUC’ em São Paulo
Estudantes da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) foram brutalmente reprimidos pela PM após se manifestarem contra um ato convocado por movimentos de direita em frente ao prédio da universidade, nesta segunda-feira (21). Episódio relembra tempos sombrios como o da Batalha da Maria Antonia, em 1968.Com armas apontadas no rosto de jovens estudantes, a Polícia Militar de São Paulo conseguiu levar o caos para as ruas de Perdizes nesta segunda-feira.
Movimentos de direita convocaram um ato a favor
do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em frente ao prédio da PUC
na capital. Mesma universidade que recebeu, na semana passada, cerca de
2 mil pessoas em ato a favor da legalidade e em defesa da democracia,
contra o golpe.
Desta vez, com um carro de som e ativistas
pró-impeachment discursando, a manifestação organizada por movimentos de
direita conseguiu reunir cerca de 100 pessoas. Alunos da PUC afirmaram
em entrevista à equipe do Democratize que muitos dos que estavam
protestando a favor do impeachment não eram alunos da universidade.
Estudantes do Mackenzie estavam entre a organização.
O clima era tenso. E o objetivo de tais organizações era claro: criar tumulto e situação de conflito.
Foi o que aconteceu.

Foto: Alice V/Democratize
Não demorou muito para as primeiras discussões entre alunos e manifestantes ocorrerem.
Com a situação cada vez mais caótica, a Polícia
Militar foi acionada por manifestantes pró-impeachment. Seguindo seu
padrão político e ideológico, a PM fez um cordão “defendendo” os
manifestantes contra os alunos da PUC.
Em oposição, ativistas contra o impeachment
realizaram um protesto contra o ato da direita, projetando frases
“contra o golpe” em um prédio próximo à universidade.
Mas as ameaças continuavam.
Com gritos de “viva a PM” e cantando o hino
nacional, os manifestantes pró-impeachment assistiram de camarote a ação
truculenta da Polícia Militar contra os estudantes da universidade,
após os mesmos gritarem palavras de ordem pedindo o fim da corporação.
Sem motivo algum, começaram as primeiras bombas. Foram sete no total.
Balas de borracha também foram utilizadas
contra os estudantes. O Democratize contabilizou dois feridos: um com
tiro na perna, e outro com lesão na cabeça. Não houve nenhum detido.
Spray de pimenta também foi utilizado para
dispersar os estudantes, que respondiam do prédio jogando garrafas de
vidro contra os policiais. Os manifestantes da direita aplaudiam. Não
faz muito tempo, eles foram expulsos da avenida Paulista pela própria
Polícia Militar, que utilizou métodos bem mais “amigáveis” com os
manifestantes pró-impeachment: jato de água e apenas uma bomba de efeito
moral para liberar a avenida, uma das vias mais importantes da cidade,
que permaneceu trancada por mais de 40 horas.
A seletividade da PM gritou mais alto nesta segunda-feira.

Foto: Alice V/Democratize
Mesmo após a dispersão, estudantes da PUC ainda
realizaram uma assembleia dentro da universidade, repudiando a ação da
Polícia Militar.
Um estudante de história relatou ao Democratize
que os alunos da PUC ainda recebiam ameaças dos manifestantes após a
repressão policial. A ordem era ninguém ir embora sozinho da faculdade,
temendo a ação dos manifestantes mais radicais da direita.
Esse episódio, que será lembrado como a “Batalha da PUC”, representa umdéjà vu indigesto em nossa história.
A Batalha da Maria Antônia, ocorrida em 1968,
marcou o ápice da ditadura militar no Brasil. Estudantes da Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP)
entraram em confronto com alunos do Mackenzie, em 3 de outubro daquele
ano. O conflito político-ideológico é síbolo de uma época que volta a
assombrar o Brasil com o avanço de ideias de extrema-direita e a
possibilidade de um governo democraticamente eleito sofrer uma espécie
de “golpe branco”, segundo defensores do governo Dilma afirmam.
GGN
GGN

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