Quem ainda tiver dúvida sobre que “voz das ruas” o Dr. Sérgio Moro pretende que seja ouvida e se imponha, veja os números da pesquisa Datafolha sobre o perfil dos manifestantes da Avenida Paulista.

É o desmonte numérico do discurso hipócrita da mídia de que “o país não está dividido, está unido”.

Se o Brasil – ou mesmo São Paulo – tivesse um perfil de renda e instrução semelhante, eu fechava este blog e ia me dedicar a escrever apenas sobre literatura, costumes, talvez escrever um romance.

Quatro entre cada cinco manifestantes (77%) têm curso superior, o triplo do indicador do Município de S. Paulo, que dirá do Brasil.

Dois terços 63%) têm renda superior a cinco salários mínimos, o triplo da capital paulistana, o que dirá – e põe o que dirá nisso- do Brasil.

O melhor governo que o Brasil já teve? FHC, para 60%. Dispensa comentários, não é?

Essa é a verdade que emerge dos dados concretos, não do desavergonhado coro midiático que se formou, onde os interesses das elites arrastam duas multidões: os que desejam o Brasil todo para as elites e os incientes, que não o percebem.

Aí está o caminho, que exige, para ser atingido, uma capacidade de superação de nossos próprios “eus” de classe média, sempre pronto a transformar nossos próprios mundos em centro do universo.

É urgente que sejamos capazes de, muito além do “institucional” deixemos – tardiamente – claro que o alvo de tudo isso são as conquistas parcas que teve o povo brasileiro.

Não porque o povo brasileiro odeie suas elites, ao contrário. São as elites deste país – e os que se deixam arrastar no seu caudal que odeiam o povo brasileiro – a quem acham indolente, vagabundo, sempre disposto a fazer filhos e nunca a trabalhar.

Mas o povo brasileiro está parado, perplexo, avassalado diante da tempestade de mídia e, pior, de nossa incapacidade de dizermos que é com ele, acima de tudo, que temos compromissos e enxergamos a riqueza deste país.

Não haverá costura política, acordo parlamentar, composição de forças que possa ser costurado sem que o povão aguilhoe este coro.

Em lugar de nos perdermos, agora, discutindo erros do passado, cuidemos de que exista um futuro para a democracia e para o direito do povo brasileiro tem ao menos a voz do voto direto para ser ouvido.

Temos uma batalha a travar. Parece impossível, certamente é dificílima. Mas é a única que pode reposicionar o país no rumo da normalidade democrática.

O resto, infelizmente, será a caminhada para uma sociedade de ódio, de autoritarismo, de mandonismo que, como em 1964, começa com a classe média abrindo-lhes as portas e, como se viu logo depois, sendo por ele devorada.

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