Por Altamiro Borges

Na sexta-feira (8), o deputado Paulinho da Força, integrante da tropa de choque do correntista suíço Eduardo Cunha e famoso por seu pragmatismo mercenário, promoveu um "ato dos sindicalistas pelo impeachment de Dilma". O evento foi um fiasco, não repercutindo sequer na mídia golpista. Segundo o insuspeito Estadão, o ato juntou "centenas de pessoas" na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo - um velho reduto de pelegos ligados ao tucanato. Vários dirigentes da Força Sindical, central tratada como feudo pelo deputado da sigla Solidariedade, não compareceram ao evento e já se manifestaram publicamente contra o golpe em curso no país.

Entre os convidados, o cambaleante Aécio Neves, presidente do PSDB, e o decadente Roberto Freire, coronel do PPS. Em seu discurso, Paulinho da Força - hoje aliado de Paulo Skaf, dono da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e de outros empresários contrários às leis trabalhistas - até tentou justificar a conspiração. "Havia a imagem que o PT estava tentando passar de que todo o movimento sindical estava com eles. Por isso, nós resolvemos convocar o movimento sindical de São Paulo para dizer: os sindicalistas querem fora Dilma, ninguém aguenta mais o governo do PT". Ele também afirmou que o objetivo do ato é "livrar o Brasil da corrupção". Haja cinismo!
Paulinho da Força só se traveste de vestal da ética devido à lentidão da Justiça. Em setembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu abrir uma ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele passou à condição de réu e terá que responder a um processo a ser julgado pelo próprio STF - mas que ainda não tem data marcada. A decisão teve como base um pedido do Ministério Público Federal, que acusou o deputado de crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Na ocasião, até os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, sabidamente vinculados aos golpistas, "avaliaram haver indícios de crime e autoria" - segundo reportagem do G1, da Globo.
"Conforme a denúncia, Paulinho da Força seria beneficiário de desvio em financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social a uma loja e à prefeitura de Praia Grande (SP). Os valores seriam desviados através de uma empresa de consultoria que, segundo o MPF, não realizava os serviços. As 'comissões', ainda segundo as investigações, variavam de 3% a 4% dos valores dos financiamentos. A denúncia também narra que Paulinho atuava a partir de um conselheiro do BNDES indicado pela Força Sindical, central sindical que preside", descreve o site.
Este não é o único caso suspeito envolvendo o chefe da tropa de choque do correntista suíço. No final de março, o Jornal do Brasil informou que "um dos principais defensores do impeachment de Dilma e grande aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o deputado federal Paulinho da Força (SDD-SP) figura na lista de políticos beneficiados com propinas da construtora Odebrecht... De acordo com planilhas apreendidas pela Polícia Federal, Paulinho da Força recebeu R$ 500 mil como 'pagamentos via bônus'. As informações constam em um e-mail encontrado no computador de um dos executivos da construtora, na Operação Acarajé". De fato, é preciso livrar o Brasil dos corruptos e dos cínicos!
 

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