Hannah Lucatteli: 'A crise política me afetou, mas de maneira positiva'
Néli Pereira - @neli_pereira
Da BBC Brasil em São Paulo


Hannah Lucatteli cresceu seguindo a orientação política dos pais, militantes do Partido dos Trabalhadores (PT). Depois de mais de 12 anos do PT no governo, decidiu votar no candidato do PSDB, Aécio Neves "com dor no coração, mas com a certeza de qualquer coisa seria melhor do que manter um partido ganancioso no poder".

Agora, defende a permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo. "Virou uma coisa de bater em cachorro morto".

Mãe de um menino de dois anos, Hannah tinha um emprego fixo até novembro do ano passado. Como funcionária de uma empresa de produção de moda, ela trabalhava fora e pagava uma babá para cuidar do filho e da casa.

Mas, as leis trabalhistas aprovadas em 2015, que regularizaram a situação das empregadas domésticas, acabaram encarecendo esse esquema, e ela decidiu abrir o próprio negócio. Montou um brechó.

"A crise política me afetou, mas de maneira positiva. Eu tive que repensar o que fazer da minha vida e como cuidar do meu filho. Com as mudanças trabalhistas, não estava compensando eu trabalhar fora e pagar alguém para ficar com ele. Os trabalhadores ganharam mais direitos, e todo mundo vai ter que se adaptar, como eu tive", conta ela.

Hannah não foi a única a sentir o impacto da crise. O pai é funcionário da Petrobras e a mãe trabalha na área de educação. "Os dois estão no olho do furacão, sentem muito tudo o que está acontecendo por causa do governo".

Hannah trabalhava como produtora de moda antes de abrir o próprio negócio


Mesmo assim, ela afirma que "não se pode tirar a presidente só porque as coisas não estão bem".

"Dilma ficar no cargo pode não ser a melhor saída, mas não existe outra. Não há argumentos suficientes para tirá-la. Ela foi eleita, de forma legítima, por mais da metade da população, e se as pessoas estão insatisfeitas, que aprendam para as próximas eleições, porque incompetência política não é motivo para afastamento. É muito arriscado. A forma como tudo foi articulado me soa golpista, me dá medo. Fiquei simpática à presidente agora porque virou uma coisa de bater em cachorro morto".

Sobre um eventual afastamento da presidente, caso o Senado decida dar continuidade ao processo de impeachment, Hannah afirma que não vê um futuro muito diferente com o PMDB.

"Eles não parecem ter muita ética política, e quem vai se aliar ao Temer não será por ideologia ou por compartilhar dos mesmos valores. Vai continuar a compra e venda de cargos só por interesse", afirma ela.

Apesar de defender a permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo até 2018, ela diz que não votaria no PT nas eleições.

"Hoje eu apoio o Ciro Gomes, ou a Marina Silva, que estão no meio termo. E daria meu pescoço para não ter que votar no Aécio mais uma vez", conclui.

BBC

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